9 curiosidades sobre o BDSM

Atualizado: Jul 21

Texto da edição de fevereiro da Revista Sexsência


Fevereiro entrou com tudo e eu finalmente consegui ler todos os e-mails dos cuckolds, ballbustings e money slaves que me contaram suas experiências com muito carinho e veracidade – a hora que eu começar a detalhar na Revista Sexsência o que eles vivem, você vai se impressionar e começar a olhar as práticas sob uma ótima mais desconstruída – eu garanto!


Opa! Você nunca ouviu ou leu esses termos nas mídias? Claro que não e eu já imaginava! Por isso que eu vou, ao longo do ano, descrever, desconstruir e desmitificar todas as curiosidades, mitos e tabus relacionados às práticas do BDSM e que vão muito além do BDSM. Não entendeu? Então, me acompanhe...


Antes de tudo eu quero deixar algo bem claro aqui: o BDSM e práticas fetichistas em geral encontram-se no campo da fantasia, logo, não dizem quase nada sobre você – comportamento, personalidade, relacionamentos e ideologias socioculturais –, necessariamente. Por exemplo, uma dominatrix fora de cena não passa os dias a humilhar os homens, assim como um dominador ou dom também não bate em suas parceiras. Opa... Ficou curiosa (o)? Calma, pois ao longo do ano você vai saber tanto sobre o assunto quanto eu e mais... Vai ficar louca (a) para se tornar uma dominatrix ou um dom. E sabe o que todo esse parágrafo significa? Que você não precisa ter medo de experimentar o que deseja ou tirar dúvidas, porque praticar isso ou aquilo quer dizer apenas que você é cheio de imaginação e esta é um dos preceitos para ser “boa (om) de cama”. Agora se, você que já é adepto das práticas parafílicas e pratica na vida real o que vivencia na sua cena, nada contra desde que não desrespeite ou machuque ninguém, mas de uma forma geral não é uma tendência... Bem, ao menos é o que afirmam os psicólogos e especialistas que estudei até hoje.


“Mas porque todo esse blá, blá, blá para entrar no assunto, Kiss?”


Porque você, que é praticante ou está a fim de experimentar, pode usar isso de argumento para convencer o seu (sua) parceiro (a) de entrar em cena junto, já que eu sei que muitos praticam seus fetiches às escondidas – a não ser que esse “proibido” seja prazeroso para você e faça parte da brincadeira.


Agora vamos ao que realmente interessa: BDSM!


B significa bondage, prática que consiste em imobilizar o (a) parceiro (a) com cordas, fitas e etc. Achou esquisito? Você já vendou alguém ou algemou seu amado (a) na cabeceira da cama? Pois bem, isso também é bondage, porém de uma forma mais branda. Logo, você sente prazer em ver o outro sem a possibilidade de fugir de suas garras e nem sabia que isso é BDSM. Fiz cócegas no seu cérebro?


D de disciplina. O BDSM precisa de duas personagens em cena: o dominador e o submisso. Dom X submissa ou dominatrix X submisso. Os grandes fetiches em torno do BDSM são o controle e o poder sobre o outro e disciplina significa o jogo de mandar e obedecer.

O D também significa dominação, que pressupõe o conceito da disciplina. Você manda e alguém obedece sem contestar – lembro que antes de entrarem em cena há um contrato de consensualidade e limites, ok?


S remete à submissão, ou seja, confiar cegamente na (o) parceira (o) e sentir prazer em obedecer às suas ordens.

Ainda no S, este também significa sadismo que é o prazer em ver outra pessoa sentir dor ou provocar essa dor.


M é de masoquismo que é o prazer em sentir a dor.


Sadismo... Masoquismo... É mais comum você ler e ouvir por aí “sadomasoquismo” ou “sadomasoquista”, pois sim?

Simmmmmmmm. Continua comigo...


Sadomasoquista é a pessoa que gosta de sentir e de provocar dor. Tudo junto e misturando os papéis conforme o combinado. Assim como o switcher, que é a pessoa que gosta de dominar e ser dominado e na cena é permitida a troca de posição de acordo com o contrato.

Outras curiosidades sobre o tema:



1. O ato se passa em uma cena com data, hora e local marcados e por isso você ouve e lê muito este termo em matérias relacionadas. Não pense que basta esbarrar em alguém na fila da balada e levar para aquele lugarzinho mais reservado que você vai praticar o BDSM não! A prática pode levar mais horas do que permite a pernoite de um motel e muitas vezes levam dias. Há de se criar um clima propício e espaço para as ferramentas que serão utilizadas na cena. Pense no BDSM como uma realidade alternativa e muito diferente do que você vive no seu dia a dia normofílico, literalmente. E é isso que faz a prática ser tão atraente;


2. O BDSM é uma prática sexual, mas não envolve a genitalização necessariamente. O mais comum é que não ocorra pênis na vagina, penetração e etc. como nós, normofílicos estamos acostumados. Nas décadas de 1980 e 1990, por conta do boom da AIDS, o BDSM passou a ser muito praticado justo por ser uma alternativa de prazer sexual sem o contato dos órgãos genitais e consequente troca de fluídos que espalhassem o vírus HIV;


3. Você já percebeu que as dominatrix se vestem com roupas de couro e usam muitas ferramentas e objetos do mesmo material? A cultura do couro surgiu com os motociclistas norte-americanos após a Segunda Guerra Mundial. Muitos veteranos homossexuais pegaram suas “motocas” e foram parar na Costa Oeste e o couro era a vestimenta mais apropriada para as longas aventuras nas estradas, por sujar pouco e protegê-los das variações climáticas. Logo em seguida a cultura do couro e a cultura homossexual se misturaram e se espalharam pelos EUA e Europa. No mundo BDSM nem tudo é couro, as dames gostam muito também do vinil por ser mais maleável, mas a ideia é a mesma. Couro ou vinil, eu acho muito sexy e já estou providenciando minha coleção e você?


4. Dame, Rainha, Dominatrix e etc.... há diferentes maneiras de se nomear uma dominadora, mas isso é assunto para outra matéria. Assim como há vários tipos de submissos: money slave, ballbusting, cuckold e etc. mas, se eu explicar todos aqui este texto não acabará nunca;


5. A prática tem de ser são, segura e consensual... É o tal do SSC que todos comentam, além de se combinar uma safeword em caso de empolgação. Tudo isso porque o BDSM é para provocar prazer... Mesmo os masoquistas que amam ser torturados e castigados, para eles essa dor é prazerosa. Para quem não conhece o BDSM logo pensa em estupro ou abuso sexual e eu canso de presenciar gente que acha que o livro “Cinquenta tons de cinza” é BDSM e logo vem o discurso do que é ético ou não no sexo. Bem, eu não li o livro, mas vi o filme e garanto que o BDSM é muito diferente daquilo. O submisso que entra em cena tem muito bem combinado com o dominador quais são seus limites. Ninguém sai de cena machucado ou chorando de arrependimento. Por isso é preciso se combinar uma safeword – citei acima – que é uma palavra de segurança que o submisso pronuncia quando o dominador se empolga e começa a machucar de verdade. Que palavra é esta? Sei lá, depende do que for combinado entre ambos. Use a imaginação.


6. Sangue também não é permitido, e eu tenho recebido vídeos de um ballbusting seguidor onde uma dame simula que o está castrando. É muito divertido vê-lo gritando de dor, mas é tudo encenação e faz parte do jogo, entende? E ambos sentem prazer, por isso a prática precisa ser consensual – e por isso eu acho divertido. E o contrato entre ambos define muito bem todas as permissões e limites. Ah... E tudo isso nos faz refletir sobre uma coisinha: quem será que realmente manda na cena sexual? A dominatrix que dita os comandos ou o submisso que define até onde podem ir? Está aí mais um argumento para dar um “baixa” nos discursos moralistas de que mulher não tem de ser submissa ao homem nem no sexo. Aff... É uma confusão que se faz entre vida real e fantasia que eu nem te conto!


7. O BDSM é uma forma de se trabalhar a ansiedade no sexo e alguns especialistas recomendam a prática como ferramenta para tratar a ejaculação precoce, por exemplo. Logo, BDSM também é saúde;


8. O termo “sado” de sadismo vem do Marquês de Sade, um nobre francês que em 1700 ficou conhecido por suas práticas sexuais exóticas e por retratá-las em seus romances;


9. Já o “masoquismo” vem de Leopold von Sacher-Masoch – você precisa me conferir pronunciando “masoch” no vídeo sobre o tema que está no www.youtube.com/sexsencia. Masoch foi um nobre nascido na Áustria, em 1800, que escreveu a obra “A Vênus das Peles” que é uma semiautobiografia de um homem que convence uma mulher a torna-lo seu escravo. Achou que o BDSM tivesse nascido ontem? Risos. Existe há pelo menos três séculos;


Eu não criei nenhuma dessas informações. Tudo o que escrevo sobre sexualidade é fruto de meus estudos e pesquisas como Sexóloga e futura Terapeuta Sexual. As informações desta matéria são fonte do documentário “Explicando o sexo”, o qual eu não encontrei a direção. Nele, uma psicóloga chamada Lisa Diamond diz que o BDSM é uma forma de nos aproximar da sexualidade que outras formas de comunicação não conseguem, logo, você precisa experimentar para sentir o que é de fato a prática – por isso eu achei esse discurso tão lindo.

E, para finalizar, eu replico o que dizem alguns especialistas: fantasias são como idiomas, não dá para esquecer o nosso de origem, mas dá para aprender novos.

Aposto que os macaquinhos sexuais estão saltitando no seu cérebro, estou certa?! Então, aproveite, pois como eu sempre digo, o cérebro é o nosso melhor órgão sexual e só ele é capaz de te levar a experiências inesquecíveis.


Leia a edição na íntegra no https://03fa6c40-27c5-4b01-a28b-3e2c5e157823.filesusr.com/ugd/7cf313_6a603ff38a774a219d05bd4e2dc5a493.pdf


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:


identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


Conheça também os cursos que ministro no https://www.sexsencia.com.br/cursos-e-treinamentos e meus livros no https://www.sexsencia.com.br/copia-meus-livros


Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia.


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Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

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