• Sexsência

A literatura muda as pessoas

Por Marianna Kiss


Como todos sabem a literatura corre em minhas veias. Além de jornalista especialista em sexualidade e educadora sexual eu também sou escritora e vivo participando de saraus e concursos literários. O mais legal de todo esse mercado é conhecer outros escritores que me apresentam diversos mundos e corações por meio de suas histórias letradas em livros. E por uma dessas minhas andanças eu conheci um poeta, cuja principal matéria-prima é o amor – em todas as suas formas e cores, o que inclui o amor homossexual, o amor livre. Mas ele não se limita a escrever apenas sobre esse tema. Ele vai além. Sua poesia é forte como um soco no estômago, e ao mesmo tempo é doce... Real... Picante... E delicada. Ideias contraditórias? Só que não. Tudo se liga quando você conhece a fundo as intenções de João Meireles.

Esse nome te lembra algo? Sim... Eu já postei uma de suas poesias aqui.

João é um carioca de 26 anos, nascido e criado em Queimados, que sempre desejou escrever um livro. Ele escreve desde os dez anos e sua cabecinha de criança fervilhava em planos. Quando ele fez doze anos, escreveu à mão um romance chamado "Amor eterno amor", tirou uma cópia e mandou para uma editora. A tal recusou, mas a atitude ousada do rapaz reforçou a certeza de um futuro promissor como escritor. O poeta mal poderia supor que uma década depois ele colocaria seus planos em prática por meio da Flupp Pensa – Festa Literária das Periferias, onde desenvolveu sua literatura e publicou sete poemas numa antologia lançada em Dezembro de 2013. Agora ele pretende trabalhar em seu primeiro livro de poesias.

O poeta mergulhou no mundo das letras por meio de suas composições musicais. De fato, arte inspira arte. Ele escrevia ouvindo Bob Dylan, Caetano Veloso, Robert Johnson e Cícero. E ele cita também os escritores que o influenciaram, como Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Charles Bukowski, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Leminski, Angélica Freitas, Chacal, Fernanda Young, Machado de Assis, Emily Dickinson e Virginia Woolf. Mistura? Sempre! E ainda aconselha que “todos deveriam ler”, depois de confessar que lê de tudo e está aberto a conhecer novos autores.



João conta que tudo o que faz é autobiográfico. “Assim como Bukowski, eu acredito que a ficção é a vida melhorada. Então tem sempre algum nome do meu círculo de amigos, alguma situação que eu vivi ou alguém com quem eu gostaria de ter tido mais intimidade. Minha literatura é baseada sempre em histórias reais, vividas por mim ou não”. Parece até alguém que eu conheço com o sobrenome Kiss. Risos.

Atualmente ele trabalha em um livro de contos, outro de poemas e ainda está escrevendo um romance, o qual faz segredo sobre o tema.

Ele ressalta a importância da arte na vida das pessoas: “Eu acho que a literatura tem um grande poder pra mudar não só a vida das pessoas, mas a situação social de uma cidade ou país, por exemplo. Não falo somente de mim, falo de forma geral. Toda forma artística tem grande potencial e impacto político, mesmo que não seja essa a vontade do autor”.

E continua o discurso quando eu pergunto sobre a luta em prol das causas LGBT: “Eu não sou um super ativista, mas apoio várias causas, e tento não levantar bandeiras específicas com a minha literatura. Um artista deve ser sempre politizado, e isso não precisa aparecer em sua arte – embora seja muito bom quando isso acontece. Todavia, meu pensamento fica claro através do que escrevo, e é claro que as pessoas percebem isso. Agora, a forma como elas irão trabalhar essa interpretação é que depende. O fato é que eu acredito na literatura como uma grande arma de promoção de igualdades e direitos. Acredito nas letras mudando os homens”. Eu avisei que sua forma de escrever era forte e isso transparece em sua opinião.

O público quando o lê admira sua ousadia e coragem e isso deixa João muito feliz. Mas o que o agrada mesmo é “(...) quando alguém consegue apreender o universo gigante que eu escondo por trás do que escrevo”.


Para terminar a matéria eu solto outro poema de João.

O meio de todos os domingos

Mania de acreditar

Que tudo possui luz

Própria

Desconheço

Continuidades

Afastados os copos

Vibra a angústia

Da gilete cega

Pressinto sombras

E não possuo

Lenços para

Tantas lágrimas

Sou a vaquinha

De plástico

Sobre a geladeira.


Photo by Patrick Tomasso on Unsplash


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:

identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia.


#literaturabrasileira #flupp #joaomeireles

Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

0 visualização

Quanto o nosso conteúdo modificou a sua vida?

A Equipe Sexsência é composta por 6 profissionais que dão seu máximo para a produção de conteúdo nas redes sociais, nas matérias da revista e na produção das lives com entrevistados. 

Nós trabalhamos de forma colaborativa e sem pro labore. 

Apoie o nosso trabalho para que continuemos levando a você conteúdo de qualidade com muita criatividade. Basta apontar o leitor de QR Code de seu celular para contribuições pontuais ou escolha nosso crowdfunding mensal. 

© 2020 by Sexsência

Crowdfunding

Em breve