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Clitoliteratura: Contadora de casos

Por Marianna Kiss


Que um homem se gabe pelo número de mulheres que levam à cama é cabível mediante imaturidade. Mas, uma mulher contando vantagem pelo número de gozadas que dava com uma quantidade x de homens, foi a primeira vez.


Eu? Boquiaberta com a quantidade? Nem tanto, pois meus números são comparáveis. Mas, fiquei chocada com a coragem de expor sua vida sexual a um bando de mulheres denominadas “amigas”, que, convenhamos, são contáveis nos dedos de uma só mão – mesmo assim limitada do polegar ao do meio (no meu caso, eu, eu mesma e minha mãe). Não que outra mulher não mereça essa classificação... Mas, enfie um homem no meio de uma discussão de mini saia para ver no que dá?! Não sobra uma amiguinha sequer.


Pois bem... Voltando à mulher contadora de casos, a danada falava mesmo. Chegava a classificá-los como num pódio de corrida joqueyana, onde só entrava no páreo os que pudessem ter seus pênis comparados aos dos equinos em tamanho e diâmetro. Não sei se eu a invejava na minha singela missão em busca do homem para a vida inteira, ou se copiava.


Não... Achei melhor continuar minha procura.


Sexo para procriação? Acho que ela estava longe de cogitar isso. Uma noite era suficientemente prazerosa para que ela pudesse incluir em sua lista os maiores fudecas da sociedade. E quem disse que havia pré-requisito? Loiros, baixos, carecas, sem grana, inteligentes, bem sucedidos e todos os contrários. Sua única exigência era que só participassem homens. Gays e afins do século 21 não eram “proibidamente” incabíveis na sua era sexual.


As histórias até que eram engraçadas, mas sexo no enterro do ex sogro, com o ex cunhado soa para mim uma verdadeira heresia. E creio que tenha sido seu único sogro de uma tentativa de relacionamento estável e duradouro de dois meses.


E segundo ela, os homens rendiam e disso eu não duvidava mediante o tamanho de sua anatomia “bundística” que a capacitava a atrair qualquer um. E suas pesquisas até passaram por uma avaliação qualitativa, mas a quantidade dos que mereciam uma segunda noite era o que realmente importava.


Às vezes era até chato de conversar com ela, e, por educação, eu não me recusava a ouvi-la, afinal, ganhei o terceiro lugar na disputa dentre suas amizades. E mal sabia ela que eu não me inscreveria jamais em corrida alguma, nem na tentativa de diminuir meu colesterol.


Porém, eu me sentia dialogando com meu irmão de 18 anos, ao menos ele dava atenção aos meus conselhos e havia o “di” de “due”, ou seja, duas pessoas apenas trocando experiências de vida. Já com ela era praticamente um monólogo e toda tentativa de exercer a minha profissão era interrompida com “perae, mas antes deixa eu te contar o meu caso com aquele que tinha três pernas... foi a primeira vez que eu pedi arrego, e...” ou, por mim tudo bem, afinal ela pagava dobrado pelas sessões e era praticamente um Forest Gump que eu assistia gratuitamente e às gargalhadas.



Imagem de Anne Art


Este é um dos contos do meu livro Músicas de Amor e Outras Sacanagens

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