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Eliseu neto, uma potência nas causas LGBTQIA+

Por Marianna Kiss


O mês de novembro foi permeado pelas eleições para a escolha de prefeitos e vereadores por todo o país. Eu, particularmente, embora não seja adepta a nenhum partido político, tenho minhas preferências e, dentre elas, gostei muito do mandato coletivo de um grupo de profissionais da cultura e educação que prezavam, em sua campanha, pelo o quê? Adivinhe! Pela cultura, educação e livros! Justamente porque isso tem a ver com meus objetivos profissionais e pessoais (e, aconselho que faça o mesmo antes de votar, se o candidato te representa, vá em frente!). Tive a honra de entrevistar Gledson Vinicius e Eliseu Neto da Bancada do Livro, mas, para o meu pesar (e de tantos outros eleitores), o grupo não foi escolhido para ocupar uma vaga na Câmara dos Vereadores da cidade do Rio de Janeiro. Mesmo assim, não pude deixar de trazer à Revista Sexsência a trajetória profissional do psicólogo Eliseu Neto, um fiel representante das causas LGBTQIA+, que me foi tão caro numa live do Instagram.



Eliseu de Oliveira Neto, 42 anos, nasceu em São Paulo é psicanalista, psicólogo, ativista dos direitos LGBTQIA+ e da educação e, pedagogo. Atualmente, ele é assessor legislativo da liderança do partido Cidadania – o antigo Partido Popular Socialista (PPS) – no Senado Federal e liderou a Ação Direta da Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) na criminalização da homofobia no Brasil, equiparando-a ao crime de racismo.

Eliseu entrou na vida pública como candidato a vereador pelo PPS nas eleições de 2012, no Rio de Janeiro. Não foi eleito, embora tenha sido o 4º mais votado do partido, dentre 77 candidatos. Continuou no partido e se tornou Dirigente Municipal e Estadual e fez parte do Juventude Popular Socialista (JPS). No mesmo ano, fundou o núcleo Diversidade23 que trabalha em prol da luta contra preconceitos, sejam eles por raça, cor, origem, gênero ou orientação sexual; além de ter sito responsável pela inclusão de uma mulher transsexual na cota partidária atribuída à candidaturas femininas. Seis anos depois, ele trabalhou para que a candidatura de pessoas trans fossem consideradas para fins de destino dos recursos do fundo partidário.


Em 2013, foi convocado pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual/CEDS-RIO, da Prefeitura do Rio de Janeiro para ser membro atuante do Comitê Carioca da Cidadania LGBT. Na mesma época, num trabalho em conjunto Comte Bittencourt, também do Cidadania, conquistou duas emendas orçamentárias – R$ 1,5 milhão cada –, uma delas para a idealização de um Centro de Referência de Combate ao Preconceito no Rio de Janeiro. No ano seguinte até 2018, Eliseu foi o maior articulador da pauta LGBTQIA+ para a candidata à Presidência da República Marina Silva. Em 2016, se dedicou à redação da Lei Estadual de Homofobia do Estado do Rio de Janeiro. Um ano depois, o pedagogo encadeou uma luta contra a aprovação e deliberação do projeto da suposta “cura gay”, disseminada e praticada em cultos religiosos por todo o estado. No mesmo período, Eliseu adentrou no Supremo Tribunal Federal contra a proibição da doação de sangue provinda de homossexuais, ação essa que foi acatada pelo Tribunal em meados deste ano, uma verdadeira vitória visto que a restrição se baseava numa cultura retrógrada e preconceituosa que ligava a homossexualidade a infeções sexualmente transmissíveis e ao HIV.


Ainda em 2016, o trabalho do pedagogo foi peça fundamental no encadeamento da pauta LGBTQIA+ durante o Governo de Michel Temer. Eliseu lutou arduamente contra a omissão brasileira após a violação dos direitos humanos LGBTQIA+ nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia. Dentre suas ações como ativista, ele continuou implicado, de forma exímia, com o debate junto ao Ministério Público pelo cancelamento do “QueerMuseum – Cartografias da diferença na arte brasileira”, uma mostra artística brasileira apresentada na cidade de Porto Alegre que virou polêmica após acusações de apologia à pedofilia, à zoofilia e ao vilipêndio religioso. Devido ao movimento conservador, qualquer exposição que trabalhasse com temas relacionadas à família, sexualidade, religião e a fins poderia sofrer restrições, o medo de retaliação levou os expositores a colocarem classificação indicativa em suas mostras, mesmo a legislação não contemplando esse tipo de censura. Eliseu se envolveu também, novamente junto ao Ministério Público, na luta para a permissão do uso do nome social no ensino básico, além da reativação do comitê técnico LGBT do Ministério da Cultura, o que garantiu a apresentação da peça “Jesus Trans”, no Rio de Janeiro, após tentativas derrocadas de censura.


Eliseu se destacou, também, no período em que trabalhou como consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do Ministério da Educação para a inclusão da diversidade na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além desse currículo espetacular, em parceria com o Senador Cristovam Buarque, atua na luta contra a aprovação do projeto “Escola Sem Partido", além de se posicionar contra a derrubada do veto presidencial que barra a aposentadoria de um cidadão que a solicita por ser soropositivo.


Obviamente, Eliseu Neto tem diversos outros projetos e lutas não relacionadas ao universo LGBTQIA+ e, se com todo esse perfil ele já conquistou a nossa admiração, imagine quando descobrirmos de tudo o mais que ele é capaz.




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