• Sexsência

Esse monte de mulher palhaça

Por Marianna Kiss


Lugar de mulher é no circo e onde mais ela quiser: segue uma dobradinha gostosa sobre empoderamento e palhaçaria feminina com Samantha Anciães e Karla Concá.


“Não aguenta mais esse isolamento da quarentena, né minha filha?”

Que tal um pouco de graça, com muita inteligência e audácia com um grupo de mulheres palhaças que riem de si mesmas sem pirraça chamado as marias da graça?!


A data de 26 de agosto marcou o Dia Internacional da Igualdade das Mulheres e isso significa que nós podemos ocupar o lugar que quisermos, principalmente no que se refere a mercado de trabalho. Podemos e devemos ser chefes, diretoras, presidentas e por que não, também, palhaças já que não é mais uma atividade exclusiva dos homens... E, diga-se lá... Eles nem têm tanto bom senso assim para piadas inteligentes, pois não?! Duvida de mim?! Então, me diga um stand up moderno ou uma clássica apresentação de palhaçaria masculina que não tenha piadas do tipo “tirar vantagem” em cima do colega ou de menosprezo pela minoria?! Hein! Hein! Nem Os Trapalhões ficam fora dessa e hoje seriam politicamente incorretos por tirar sarro do amigo negão que adora um “mé” ou do coleguinha ainda em dúvida sobre sua orientação sexual. Fazer mulher de objeto de desejo então, nem se fala. E para tratar do tema eu entrevistei no Sexsência duas mulheres de garra e muitas risadas que fazem parte do grupo de palhaçaria As Marias da Graça que marcaram o meu primeiro programa chamado “Só para Mulheres” na Rádio Comunitária Prazeres FM em 2013 (a qual infelizmente foi fechada com a vinda do Papa ao Rio de Janeiro): Samantha Anciães e Karla Concá.


O grupo surgiu em 1991, aqui no Rio de Janeiro e é o primeiro de mulheres palhaças do Brasil. Você faz ideia do poder que as quatro palhaças Karla Concá, Samantha Anciães, Geni Viegas e Vera Ribeiro têm? Elas abriram a profissão por muitos séculos restrita aos homens e mudaram a dramaturgia de tal forma que, mesmo abordando questões próprias, ou seja, o universo feminino da TPM aos relacionamentos, os assuntos nunca se esgotam. Elas provocam aspirantes na arte circense e mulheres da plateia a repensarem comportamentos e seus papéis sociais. Ao todo, têm oito espetáculos e, dentre eles, o carro chefe há 28 anos em cartaz: Tem Areia no Maiô.


Karla inicia a conversa falando sobre as mudanças de sua oficina durante a quarentena. Ela explica que não conseguiu realizá-la on line justo por ser muito intensa e mexer com o emocional das mulheres. Ela conta que, em diversos momentos, suas alunas precisam de abraços, contudo ela, junto com a colega Ana Borges, montaram uma oficina on line de dramaturgia. Outro lugar onde elas não imaginavam que iriam...





Sexsência: Você é craque em ir a lugares nunca antes imaginados pelas mulheres, conta pra gente como nasceu As Marias da Graça?


Karla: O grupo surgiu de um curso. Eu estudava na CAL – Centro de Artes de Laranjeiras – e lá sempre disseram que eu deveria ser atriz de comédia, mas eu queria mesmo era ser atriz dramática. Meu ser dramático foi um fiasco e logo no primeiro teste eu abri uma porta que, em seguida, fechou na minha cara e nessa eu caí e ganhei o papel da criada e não da mãe como eu gostaria. Mas foi maravilhoso porque a criada me deu a possibilidade de juntar o drama e o humor. As criadas do Lorca* ou do Shakespeare sempre foram mulheres do povo que transitavam entre o poder e a escravidão. É a criada que sabe os segredos da família e de tudo o mais que acontece, é ela que tem o humor e pode expressá-lo justo porque está no lugar das desprezadas e profanas. E na dramaturgia, geralmente, coloca-se o humor nesse lugar marginal e aí a gente começa a entender o lugar da mulher e do humor. Passado isso eu me formei até que Guillemo Angelelli ministrou um curso de palhaçaria e todos me incentivaram a fazê-lo. Eu me achei! Eu posso rir de mim mesma. Eu posso não ter esse lugar do acerto o tempo todo. Eu posso brincar e aceitar o erro. Eu posso trazê-lo para ser meu amigo em vez de inimigo. Eu quero fazer disso a minha vida, eu e todas as mulheres que estavam lá. Éramos 13 e um homem que desistiu, o que eu achei ótimo, pois nos permitiu virar As Marias da Graça e se ele tivesse ficado isso não teria acontecido.

*Federico García Lorca, dramaturgo espanhol.


Sexsência: E depois... O que aconteceu?


Karla: Quando concluímos o curso perguntamos a professora “e agora?”. Ela nos indicou a rua como um novo exercício. E foi uma experiência interessante porque não fomos pra rua pra mexer com as pessoas. A palhaçaria é uma coisa muito séria apesar de ser humor, então não é para sair por aí mexendo com as pessoas... É preciso trabalhar uma história por trás e eu sempre digo isso para as minhas alunas. Quando fomos para a rua pela primeira vez foi para exercitar a nossa palhaça e não para fazer "gracinha". Fomos para ver como era a nossa palhaça nesse lugar com o objetivo de estudo. Daí fomos fazer compras na feira. Eu lembro que quando pisamos lá, um feirante falou “o que vocês estão fazendo aqui? Vão lavar um tanque de roupa!”. Foi a primeira frase, foi um “pá!”. Como a sua palhaça reage diante de uma fala dessas? Ir pra rua foi um verdadeiro laboratório. Éramos sete e as pessoas se assustavam... Imagina... Era 1991. Todos falavam “olha lá, um palhaço” e nós rebatíamos “somos palhaças, somos mulheres e estamos de vestido e maquiagem”. Todos estranhavam porque não havia palhaças mulheres no Brasil ainda mais sete de uma só vez. Era muita e de uma só vez.


Sexsência: Como foi criado o primeiro espetáculo?


Karla: Todo domingo nos encontrávamos para passear... Andávamos de ônibus, íamos ao Aterro e passávamos sempre pelas mesmas ruas... As pessoas paravam para nos assistir com a expectativa de um espetáculo, só que ainda não tínhamos nada a não ser um público que começava a se tornar fiel. Com isso criamos o nosso primeiro número que foi “O Casamento”, na rua mesmo. Fizemos a decoração da igreja com papel higiênico, improvisamos vestido de noiva e levamos arroz. Com isso as pessoas começaram a olhar pra gente e saímos em matérias de jornal. Todo domingo tinha jornalista no Aterro fazendo matéria sobre o domingo e pronto! Lá estavam As Marias da Graça. Foi engraçado porque começamos a ficar famosas a ponto da Prefeitura nos convidar para um trabalho maior que era a inauguração do parque “Garota de Ipanema” no Arpoador, foi um luxo. Com isso criamos “Tem Areia no Maiô” com direção de Beto Brown o qual, até hoje, é o nosso carro chefe e com ele passamos a nos entender como palhaças... Mesmo, sempre ouvindo que não poderíamos ser palhaças.


Sexsência: “Mulher não pode isso”, como soava para vocês?


Karla: Ninguém ouvia nada e a gente ia seguindo. Às vezes a mulheres têm de se fazer de surda porque se ouvirem tudo o que falam sobre o que ela não pode fazer, ela não faz absolutamente nada. Eu sempre digo para as minhas alunas “chegou a hora de ficar ficar surda, não ouça nada, pega e vai... vai seguir sua vida... vai seguir sua intuição... vai seguir seu coração”, porque o nosso sistema patriarcal é complicado. “Tem que” e “não pode” é muito comum, né?!


Sexsência: O sucesso em matérias de jornal chamou a atenção para o meio?


Karla: No início não. Apesar das nossas ações ainda não éramos reconhecidas e nem chamadas para os festivais mistos de palhaçaria. A gente nunca tava, sempre esqueciam da gente. Não havia um grupo só de mulheres palhaças nesses eventos. Havia ainda um ruído no meio da palhaçaria e a gente nem imaginava o que iríamos viver a partir dali. Nesse momento, tivemos a primeira crise do grupo e duas mulheres saíram. Já havia saído mais pessoas antes e ficou apenas eu, Verinha e Geni. “O que faremos? Acabamos com o grupo?”, nos perguntamos. Não! Momento de crise é o melhor momento da vida da gente. Esse Covid, por exemplo, se ele não tivesse ligado a tanta dor e morte, seria um grande palhaço, porque ele está nos colocando num momento de grande encruzilhada e nos faz pensar “e agora, o que faço da minha vida, como me transformo?”. Simplesmente continuamos e eu sempre digo que temos de tomar cuidado com os deslizes... Qualquer coisa do tipo “o meu palhaço”... Não! É preciso dizer MINHA PALHAÇA, senão a gente volta no tempo e perde o espaço conquistado.


Sexsência: Eu fico muito triste de não ter visto mulheres palhaças no circo durante a minha infância, inclusive era a parte do espetáculo que eu achava mais sem graça. Eu tenho acompanhado vocês no Youtube e vejo que as piadas são muito mais inteligentes.


Karla: Quando entra a palhaçaria feminina dentro dessa profissão que antes era restrita aos homens, a gente rompe a estrutura clássica violenta. Não dá para nós mulheres fazermos essa proposta construída pelos palhaços homens e que ainda é feita até hoje baseada na chacota alheia. Eu envio material para meus colegas palhaços e muitos já estão repensando suas piadas e espetáculos. Eu vou pesquisando os homens, também, para ajuda-los a mudar suas formas de trabalhar e é preciso ressaltá-los quando eles seguem outro caminho. E quando você fala que a palhaçaria da mulher é mais inteligente é porque a gente vê o mundo de outra forma. A gente não vê pela perspectiva é Branco ou Augusto* e o homem funciona assim, né?! Pelo pênis: ou ele tá Branco (ereto) ou Augusto (flácido). Eu sei que isso é muito polêmico e eu estou mexendo num vespeiro, mas é preciso dizer que eles vivem nessa verticalidade e nós mulheres trabalhamos no lugar do circular. Uma mulher Augusta em TPM vira Branca em dois tempos.


*são dois arquétipos do universo teatral e circense. Branco é o inteligente, harmônico, gracioso e belo. Ele é a voz do que é o certo a se fazer. O Augusto é a criança e o animal que não sucumbe aos status quo. É o rebelde mediante à perfeição. Ambos representam uma dialética.


Sexsência: Eu percebo no trabalho de vocês uma verdadeira válvula de escape para a nossa autoestima (feminina) justo porque riem de si mesmas. Vocês nos fazem aprender a rir das nossas próprias questões. E a mulher engraçada que abre o coração fazendo graça de si é muito sexy.


Karla: Na palhaçaria a gente não expõe o outro, a gente se coloca no ridículo e quando você público ri, você não está rindo da gente, você está se aliviando, ou seja, se aceitando como é. Essa é a nossa grande função social. Quando me perguntam se eu faço projeto social eu respondo que sou o próprio projeto social ambulante porque sou mulher e sou palhaça. Só o fato de nascer mulher cis (porque há outros tipos de mulheres) eu já interferi no espaço masculino. E quando a mulher entra na palhaçaria e traz uma questão própria ela é ampliada, porque aquilo que é nosso é de todo mundo também. Só quem é mulher sabe a dor de outra mulher. Somos cúmplices nisso. Com o homem na palhaçaria clássica acontece justamente o oposto, eles não se olham. Olhar pra dentro significa, muitas vezes, sair do poder. Eles trabalham com o poder e as entradas são sempre as mesmas... Eles fazem algo com o outro, esse outro que é a vítima que não gostou, e o que fez fala “não tem problema, a gente pega o próximo”. Sair do poder significa assumir outro lugar, o lugar de erro ou de “não vou fazer mais isso porque fere alguém”. Mas, muitos homens dizem que não enxergam dessa forma e continuam fazendo isso nos espetáculos. E mais, muitas vezes pegam mulheres na plateia e fazem coisas horrorosas... E, que fique bem claro que, quem faz isso é o homem cis: hetero e branco... Porque há outros tipos de homens atuando na palhaçaria.


Sexsência: Essa é a chamada palhaçaria clássica?


Karla: Sim. E essa coisa do poder é muito séria e é o que estamos vendo no nosso Governo... É o poder, a arma, o dinheiro. Setenta por cento dos artistas circenses votaram a favor da política da arma, porque num espetáculo você usa a arma para atirar num violino que não pode ser tocado, por exemplo. Na palhaçaria clássica a violência é banalizada. As mulheres são tratadas como lixo assim como os pretos e pretas e os homoafetivos. A dramaturgia clássica é isso, é sempre colocando à tona o “desclassificável”. Quando uma mulher palhaça entra no picadeiro ela salva mulheres como você que vão ao circo e não riem das cenas... O cara coloca o corpo da mulher objetificado... Como você vai rir? Agora, quando a gente fala algo da gente você ri, porque se identifica.


Sexsência: Qual é o poder que a palhaça tem?


Karla: Na dramaturgia, como a princesa ri?


Sexsência: Tímida, escondendo os dentes.


Karla: Isso! A dramaturgia é muito ingrata e violenta com as mulheres. Quem gargalha gesticulando e mostrando os dentes são as bruxas, as dançarinas de cabaré e as prostitutas. O riso da mulher está colocado nesse lugar. Quem nunca ouviu de um pai, um namorado ou um filho “ri um pouco mais b lixo porque você está chamando muito a atenção”? O riso da gente está colocado no lugar da louca, da histérica, da que quer aparecer. E isso é uma dramaturgia de vida porque cada vez mais você vai embutindo o seu rir, você vai deixando de rir, de gargalhar e de falar. E isso é um processo que é muito lembrado ao longo de curso de palhaçaria pelas mulheres que o fazem e assim elas descobrem a própria dramaturgia.


Sexsência: Eu sempre ouvi que fazer rir é mais difícil do que fazer chorar. O que é preciso para ser uma boa palhaça?


Karla: Eu sempre digo que sua graça está na sua desgraça. A palhaçaria vai trabalhar com a sua verdade e o seu impulso. É um aceitar completo de si mesma. Honre a sua sombra, porque a sua luz está lá. É onde está o seu lado risível. Pega o seu álbum de família e veja fotos suas de quando criança e observe o seu riso lá. A sua palhaça está naquele momento antes de ouvir de alguém “fecha as pernas”, “ri baixo” ou “isso não é coisa de mocinha”. Quando a gente cresce e vai colocando máscaras, vamos nos afastando da nossa realeza. Honre suas ideias, não desista de você.


Da formação original dAs Marias da Graça, fazem parte até hoje: Geni Viegas, Karla Concá e Vera Ribeiro. Em 2018, Ana Borges entrou no grupo na parte institucional e em 2019 passou a fazer parte do quadro artístico com a criação do canal As Marias da Graça, no YouTube. Mas, bem antes disso, em 2003, Samantha Anciães, também entrevistada desta matéria, se integrou ao grupo, mesmo ano em que elas se institucionalizaram e fundaram As Marias da Graça Associação de Mulheres Palhaças.


Sexsência: O que são As Marias da Graça?


Samantha: É o primeiro grupo de palhaçaria feminina do Brasil que se materializou em 1991 numa época, e isso é importante dizer, em que ainda não era permitido às mulheres serem palhaças. A gente veio dentro de um contexto como percursoras de uma nova profissão. De meter o pé nessa porta para dizer “não, a gente também pode!” A mulher também pode ser palhaça. É todo um processo histórico que tem a ver com todas as entradas de todos os mundos e dentro do circo não seria diferente. O papel do palhaço era sempre do homem, somente era permitido ao homem fazer rir, ao homem ser engraçado, ao homem se expor. Para a mulher só restava o papel da bonita, da mulher que tá lá no trapézio com a objetificação do corpo... O feminino estava sempre nesse lugar de submissão ao homem. E a palhaça trabalha com a própria vulnerabilidade, com quem você é com uma grande lente de aumento. Então, às mulheres não era permitido que se expusessem dessa forma. No início a gente não tinha noção de nada, a gente só queria ser palhaça e mais nada. Somente nos anos 2000 é que começamos a ter ideia da nossa história e em 2003, quando eu entrei, é que o grupo se estruturou como uma associação de mulheres palhaças com foco nas ações de gênero e com consciência sobre isso.


Sexsência: Eu me lembro, na infância, de ver o Programa do Bozo no SBT e eu amava a Vovó Mafalda. Mas, era um homem vestido de mulher.


Samantha: As mulheres, antigamente, riam com o leque no rosto. Elas não podiam rir. E o riso é libertador, é cura. E é mais um poder que tentaram tirar das mulheres. Mais um lugar de desempoderamento, elas não podem rir e não podem fazer rir porque esse é um grande poder transformador. “Não vamos dar a elas esse poder, esse lugar de destaque”. Por isso, a Vovó Mafalda era um homem e não uma mulher.


Sexsência: O que te despertou para ser palhaça?


Samantha: Eu sou atriz desde os 15 anos e aos 19 entrei na Escola de Teatro... E, sempre me achava inadequada. Ser atriz não era um lugar que eu queria tanto estar, ainda mais no Rio de Janeiro em que a televisão dá mais visibilidade. Mas, eu tava lá, queria fazer e sabia que era isso que eu queria desde pequena até que no último período da Escola de Teatro eu tive a matéria “clown moderno” e me descobri. Eu disse “é isso o que eu quero fazer pro resto da minha vida”. Depois fui buscar oficinas e cursos de especialização até que em 2003 eu conheci As Marias da Graça e elas estavam precisando de uma pessoa e ex-meu marido, na época, trabalhava com elas. Iniciei um estágio e estou aí até hoje.


Sexsência: Depois que As Marias da Graça surgiram, mais grupos femininos foram criados?


Samantha: Sim. Antigamente a gente olhava pra trás e pro lado e não tinha ninguém. Hoje há diversos grupos. De fato, nós iniciamos o mercado no Brasil. Multiplicamos. Há muitas palhaças solo, em grupo ou que trabalham junto com seus companheiros ou com a família inteira. E a gente realiza, desde 2005, o festival internacional de palhaçaria feminina que é “Esse monte de mulher palhaça”. E, trouxemos as curadoras de um festival de Andorra, um principado na Europa, que não sabiam que tinha palhaças no Brasil. No ano seguinte fomos pra lá e havia um monte de representantes brasileiras. Hoje, só aqui no país existem cerca de 15 festivais só de palhaçaria feminina.


Sexsência: Nossa! Não imaginava, pois quase não há publicidade.


Samantha: Os festivais e eventos são muito famosos no meio. As pessoas e os patrocínios ainda não dão visibilidade às questões de gênero. Gênero ainda é cota. Contudo, agora temos a Rede de Festivais de Palhaçaria do Brasil e fazemos lives todos os sábados. Antigamente, existiam os festivais “mistos” onde a mulher nunca tinha papel de destaque. Havia um espetáculo de uma palhaça internacional que ficava em destaque e as brasileiras eram colocadas nos cabarés e em horários alternativos. Cansamos de reclamar e começamos a realizar o nosso.


Sexsência: O que diferencia os palhaços das palhaças?


Samantha: A dramaturgia clássica é muito machista e as mulheres palhaças estão escrevendo uma nova. Os homens pegam e repetem, eles não criam uma coisa nova ou falam de suas questões. E é importante dizer que a palhaçaria trabalha com a sua verdade. Ela não é uma personagem. Eu brinco nos meus espetáculos com os meus peitos que caíram depois que eu tive filho, por exemplo. A minha graça está na minha tragédia. Eu posso falar sobre mim e o outro pode se identificar e rir junto comigo. Já eles, não falam de suas intimidades, dificuldades ou da sua sexualidade e as mulheres palhaças falam e isso é muito interessante, então vamos vendo que é uma construção nova de dramaturgia. Estamos com grupos de estudos justo para rever essa dramaturgia e deixar uma coisa nossa no mundo, a gente tem o nosso próprio universo e muito a falar.

Sim! Muito a falar e a nos fazer rir e também pensar. Pensar no nosso lugar nesse mundo, no nosso papel social e na diferença que podemos e devemos fazer em cada atitude tomada ou palavra proferida. As Marias da Graça não são apenas um grupo de palhaças, elas são mulheres que dão “a cara a tapa” todos os dias seja por meio de seus espetáculos ou nas redes sociais, seja sendo elas mesmas em cada ideia exposta.

Eu sou mulher! Eu sou palhaça! Eu sou uma Maria da Graça! E você?!




#mariasdagraça

#mariannakiss

#sexsencia

#palhacaria

#palhacariafeminina

Quanto o nosso conteúdo modificou a sua vida?

A Equipe Sexsência é composta por 6 profissionais que dão seu máximo para a produção de conteúdo nas redes sociais, nas matérias da revista e na produção das lives com entrevistados. 

Nós trabalhamos de forma colaborativa e sem pro labore. 

Apoie o nosso trabalho para que continuemos levando a você conteúdo de qualidade com muita criatividade. Basta apontar o leitor de QR Code de seu celular para contribuições pontuais ou escolha nosso crowdfunding mensal. 

© 2020 by Sexsência

Crowdfunding

Em breve