• Sexsência

FAQ BDSM

Por Lino Naderer


Antes de falarmos de questões mais práticas vamos desfazer alguns mal-entendidos para então falarmos sobre como identificar seu papel, conhecer seus fetiches, conhecer mais pessoas e partir para a prática, ok?



Foto de Artem Labunsky no Unsplash

1 – O que é BDSM?


BDSM é uma subcultura que tem como foco jogos eróticos de poder centrados nos fetiches, nas letras que compõem o seu significado. B/D de bondage e disciplina, D/S de dominação e submissão e S/M de sadismo e masoquismo.

2 – Subcultura, e o que isso significa exatamente?

O BDSM é mais do que apenas um estilo de vida; é uma cultura legítima. Como tal, temos ideias, costumes, habilidades, comunicação e expressões que pertencem a quem faz parte e está familiarizado com o BDSM. A comunidade se tornou pelo mundo algo grande e bastante segmentado. Cada um pode ver a cultura de uma perspectiva diferente, como vi, no entanto, temos como orientador dentro da nossa comunidade cultural, várias formas de se estabelecer uma ética, valores, responsabilização e o respeito fazendo disso um elo.

3 – O que o acrônimo BDSM representa?


BDSM inclui bondage e disciplina (B&D), dominação e submissão (D&S), e sadismo e Masoquismo (S&M). Os termos são dispostos dessa forma porque o BDSM pode ser muitas coisas diferentes para pessoas diferentes com preferências diferentes, não sendo necessário gostar de tudo que o acrônimo significa.

4 – Nem sempre envolve sexo, mas pode.


A maioria das pessoas acha que o BDSM está sempre ligado ao sexo propriamente dito, para uns está, para outros eles separam em duas coisas distintas, podendo ser usadas juntas ou não. Ambos são experiências corporais que são muito intensas e sensuais e causam um monte de sentimentos e sensações muito fortes em pessoas que os praticam, mas não são exatamente a mesma coisa. Às vezes uma massagem, por mais sensual que se sinta, é apenas uma massagem. Para os outros, uma massagem praticamente sempre leva ao sexo. É meio parecido com o BDSM; é uma questão de preferência pessoal e sexual.


5 – Eu respeito muito meu parceiro para machucá-lo, como alguém pode gostar/amar alguém e estar machucando alguém que ama de propósito?


Quando se liga a dor a uma forma de malefício temos realmente dificuldade de entender como pessoas podem sentir prazer nisso, só que a dor no BDSM, pelo menos para os sádicos e masoquistas é algo estimulante e prazeroso, então lembre-se disso, existe uma negociação, existe um acordo entre pessoas que não estão ali pra fazer de qualquer jeito, há formas prazerosas pra elas de sentir prazer na dor e há outras formas que não são prazerosas e isso é sinalizado para que não se faça. Pense no prazer em certo tipo de dor de forma parecida com o prazer do susto da montanha russa ou de um filme de terror.


6 – Se uma pessoa pode machucar a outra, o que é abuso, então, no BDSM?


Abuso passa por cima da consensualidade limites e da integridade dos envolvidos, há uma vasta lista de textos falando sobre isso e o quanto é importante entender essa diferença para praticar, BDSM exige cuidado e estudo.


7 – Não há nada inerentemente errado com as pessoas por terem prazer no BDSM.


Este é um dos equívocos mais comuns e frustrantes sobre o BDSM. BDSM não é algo que emerge de abuso ou violência doméstica, e se envolver nele não significa que você goste de abusar ou ser abusado. O BDSM discute abertamente como ponto central, a necessidade dos praticantes saberem o que estão fazendo, terem prazer nisso e estarem de acordo, trazem pro centro da discussão a necessidade da consensualidade e as outras ferramentas que façam da relação algo sadio e prazeroso.

O BDSM é apenas uma faceta da sexualidade e/ou do estilo de vida de alguém.

8 – Você sempre pode dizer não.


Muita gente que tem o primeiro contato inicia pensando que é 'tudo ou nada”, principalmente se você só esteve com um parceiro. Por exemplo, você pode pensar que, porque você gostou de ser submisso em certas circunstâncias, isso significa que você deve concordar com todo tipo de comportamentos submissos ou masoquista que você não está necessariamente afim. Não é assim, a negociação serve para estabelecer limites quanto as práticas que tem prazer, as que não tem e as que até faria dentro de um contexto prazeroso.

9 – É realmente uma violação de consentimento apenas tocar a mão / cabelo / etc. de alguém?


Qualquer coisa feita sem a permissão do outro é uma violação, por isso tanto se fala nos abusos de cantadas de rua, pessoas segurando outras pelo braço no carnaval, etc., não é não e a desculpa do “ela dizia não, mas ela queria” não cola.


10 – BDSMers são tão estáveis ou instáveis quanto as pessoas que preferem o sexo baunilha.


Um estudo de 2008 no jornal da medicina sexual descobriu que as pessoas que tinham se envolvido no BDSM no ano passado não eram mais propensas a terem sido coagidas em atividade sexuais e não eram mais propensas a serem infelizes ou ansiosos do que aqueles que não fizeram BDSM. E na verdade, quem se envolvia no bdsm tinha pontuações mais baixas de aflição psicológica do que as outras pessoas.


11 – O termo baunilha não é destinado a ser depreciativo.


É apenas para se referir a atos sexuais não-BDSM ou pessoas que não estão interessadas práticas kink.

12 – O que é Kink?


Não há uma tradução exata, kink é todo aquele que tem excitação em práticas fora do sexo convencional, ou seja, do sexo baunilha.

13 – Qual é a diferença entre um kink e um fetiche?


Existem várias formas de separar, o kink veio em oposição ao que a psicologia colocava como doentio. Eu separo kink de fetiche da seguinte forma:


fetiche são as práticas focadas numa região do corpo ou objeto ou algo bem restrito e/ou específico, como o crossdresser que tem prazer em se vestir do gênero oposto (não confundir com a transsexualidade) e a podolatria que tem fetiche em pés;


kink é normal, por exemplo terem podólatras que não ligam para “a dona do pé”, o kink não, ele sente prazer em todo o contexto erótico que a pessoa, a situação e todo o envolvimento existente entre eles, então o prazer do spanking não é só na dor, mas com quem eu estou jogando e toda a dinâmica criada entre os envolvidos.

14 – Eu realmente posso viver minhas fantasias como eu li em romances de ficção e visto em filmes pornográficos?


A idealização frustra muita gente, temos de lembrar que o foco de livros e filmes e criar uma história e não ser extremamente fiéis a realidade, mesmo filmes pornôs com foco no BDSM temos cortes de cena, temos pessoas com um preparo físico que provavelmente não condiz com o seu, então filmes de ficção não são boas referências a não ser como forma de despertar nossa curiosidade. Tenha mente aberta, seja pé no chão e esteja pronto para se frustrar ao ver que não é do jeito que você leu ou assistiu. Não é porque você viu algo num pornô que é seguro na vida real.


15 – Cinquenta tons de cinza não é uma referência na comunidade BDSM.


Se alguma vez você for pra um encontro BDSM não cite o livro como algo BDSM que teve contato, alguns do meio podem até entender que foi uma forma na atualidade de aproximar pessoas ao BDSM, outras vão ressaltar as relações abusivas que acontecem no livro e a falta de semelhança do que rola com o BDSM, por via das dúvidas, não use de referência.


16 – Não é tudo sobre dor.


Na verdade, pouca coisa é sobre dor, a maioria dos jogos não envolve dor, a não ser que assim se queira, então desde jogos com sensações de ter olhos vendados, sensação de restrição, frio, dominação e submissão e tantos outros jogos provam isso. Dor é apenas um dos prazeres que é englobado pelo BDSM, e se você não sente prazer pode optar por todos os outros jogos que não tem ele incluído. Você sempre pode colocar algo como limite e sempre pode dizer não


17 – Como são os encontros BDSM?


Existem workshops e existem munchs, que nada mais são do que sociais. Existem festas abertas e fechadas, com suas regras voltadas a se pode praticar, onde e como praticar. Mas todos os encontros vão falar sobre não assediar as pessoas, não fazer algo se não conversou com o outro e ele disse que pode.


18 – BDSM não é sobre “homens mandam e mulheres obedecem”.


Existe o estigma de que há mais homens dominantes do que mulheres no BDSM, ou mesmo que só homens dominam, isso não é verdadeiro, pelo contrário, é mais fácil observar a dificuldade de um dominador arranjar uma submissa do que uma dominadora arranjar, até vários submissos. BDSM é sobre a posição que você deseja ocupar e sobre o que você tem prazer.


19 – Pode ser tão simples ou tão técnico quanto você quiser.


BDSM exige estudo, nem por isso toda relação deve ter várias e várias regras intrincadas, apenas se ambos dão conta disso e tem prazer, de resto, as vezes menos é mais.


20 – O que é brat?


Brat é o “Dênis, o pimentinha” dos bottoms. É o bottom da disciplina que sente prazer no jogo de cabo de guerra, de desafiar a autoridade mas em sentir que tem um forte líder que sabe e tem prazer em jogar com isso, que é o tamer (na tradução literal significa domador), brat sente prazer em ser forçado a fazer as coisas ou fazer por conveniência, por isso brat não é um bom par para um dominador, seu jogo não é de obedecer, mas desafiar e ser obrigado a fazer ou ser punido por não ter feito.


21 – O BDSM sério envolve muita leitura e muito aprendizado.


Se você é daquelas pessoas que não leem o manual antes de tentar montar o móvel, o BDSM pode ser complicado pra você e até perigoso pra você e seu parceiro. BDSM se difere bastante nesse sentido, não dá pra ir testando e ver se o outro topa na hora, não se aparece com uma agulha ou uma faca na caveira sem saber o desejo do outro sobre isso. BDSM envolve estudo, disciplina, exige tempo, não é porque você assiste “Grays Anatomy” que você entende de medicina ou está apto a ser médico, por isso entenda, BDSM exige estudo.


22 – É importante obter informação de uma variedade de fontes.


Existem poucas coisas de consenso no BDSM, elas costumam estar relacionadas a riscos numa prática, fora isso como estamos falando de comportamento humano, não há fórmulas. Ouça vários praticantes e pergunte coisas como “como agradar meu dominador?” e vai ouvir “depende, eu faço da forma x”, daí você segue ou não.


23 – Safeword é essencial.


Safeword é uma das principais barreiras que impedem um acidente ou uma prática de passar dos limites. Safeword é a palavra de segurança, quando não está tendo prazer ou aguentando uma prática ou mesmo passando não, ela deve ser usada. É normal usarem amarelo para se ter cuidado e vermelho pra encerrar.


24 – Em alguns eventos públicos, há monitores da segurança dos jogos e eventos.


Monitor impede imprudência, impede acidentes não percebidos pelos praticantes e é bastante importante principalmente em sessões de pessoas iniciantes.


25 – Não é tão espontâneo como os filmes de Hollywood ou pornografia fazem parecer que seja.


Mesmo que pareça fácil e espontâneo no pornô, na vida real não é, há corte de cena, há romantização. Usar essas ferramentas como referência pode te envolver em acidentes graves ou perceber que não é exatamente da forma que pensou pode te frustrar, por isso, estude, veja pessoalmente cenas, e entenda que não é do jeito que viu em certos vídeos e filmes.


26 – “Eu tenho filhos e parceiro e tenho interesse no BDSM, eu posso praticar?” ou “eu quero ter filhos um dia, eu não acho que posso entrar nessas coisas”.


Há muitas pessoas casadas e com filhos no BDSM. Ter filhos não impede ninguém de viver seus prazeres, devemos só tomar os devidos cuidados para não expor crianças a esse tipo de prática, saber quando e como praticar, saber guardar adequadamente as roupas, chicotes e “brinquedos” de modo a não terem acesso, cuidados para não etc.


27 – A extensa negociação do BDSM é algo que deveria ser levado para as relações baunilha.


A negociação de forma mais clara é saudável pra todo mundo. Como diz o ditado, combinado não sai caro, as relações baunilhas deveriam falar mais e serem mais abertos quanto a preferências sexuais, quanto a como fazer, tocar, trazer a comunicação a clareza e a consensualidade como ponto central da relação.


28 – Na verdade, há um período de pré-negociação onde os parceiros discutem o que gostam, o que não gostam, e o que eles absolutamente não vão tolerar.


A comunicação mal feita no BDSM pode gerar mal estar, traumas ou acidentes, saber definir as questões quanto a gostar, achar interessante, mas nunca ter provado, não gostar ou simplesmente de forma alguma pensar sobre isso é importante. Repetindo, boa comunicação, conhecimento sobre si e o outro são essenciais.


29 – Após o jogo, há um período de diálogo para um feedback.


Em um outro ponto vamos falar do aftercare que são cuidados posteriores a sessão. É importante saber como foi, se a pessoa gostou, “senhor, faltou algo ou algo foi um tanto de mais”, é um momento de conexão com quem praticou, momento de cuidados e conexão com quem praticou.


30 – Bdsmers podem ser monogâmicos, poliamorosos, ou seja lá o que for que eles quiserem.


Já vi gente dizer que fazer algo BDSM com outro parceiro sem o marido/namorado saber não é traição. BDSM é uma forma de relacionamento, que envolve atividade erótica, e você pode decidir se relacionar apenas com pessoas monogâmicas ou não monogâmicas, o importante é a clareza dos relacionamentos para todos ficarem satisfeitos e não ficarem frustrados.


31 – Há lugares certos e lugares errados de se aplicar as práticas, estude o que você quer jogar antes de fazer.


BDSM não é intuitivo, mesmo coisas que parecem simples não são tão simples assim, a vela que usamos não é qualquer vela que se compra no mercado, existe forma certa e errada de bater com um flogger, existe lugar certo e errado, existe atenção a questões de saúde, existe negociação. Não dá para no meio do sexo baunilha surgir com agulhas ou facas, BDSM exige estudo.


32 – BDSM não é exatamente como a mídia retrata, então esteja preparado para se decepcionar.


Filmes não tem qualquer obrigação com a realidade, o mesmo com outros tipos de mídia, então talvez o que te interessou só exista na mídia mesmo. Os espiões não são como 007, os médicos não são como “Dr House”, militares não são como o “Rambo”, então, não espere que no BDSM tenha um “Sr Gray”.


33 – A prática que é prazerosa na sua cabeça pode acabar não sendo de verdade, e mesmo que tenha negociado sobre, você pode sim, pará-la.


Os acordos do BDSM visam o prazer mútuo, estar disposto a experimentar não te cria qualquer obrigatoriedade além disso, experimentar e poder dizer não caso não goste.


34 – Estou conversando com alguém e a pessoa quer me encoleirar. Nunca nos vimos e nem fizemos nada. Isso está certo?


Não, não está, existem muitas etapas antes disso. É necessário conversar, conhecer a pessoa pessoalmente, descobrir se a pessoa é confiável, ir pegando bagagem e se descobrindo para então negociar com propriedade e ir adaptando as questões um ao outro, após todo esse processo vem a tão falada coleira, que é um símbolo de compromisso de uma relação D/S, muitos desencantos, acidentes, pessoas machucadas emocionalmente podem vir de uma coleira prematura e no mais geralmente quem chega oferecendo coleira é o tipo de pessoa menos confiável no meio.


35 – Quando a pessoa começa a praticar o BDSM?


O BDSM exige maturidade, exige confiança e envolvimento, comece a praticar quando se sentir confortável, quando já tiver lido um tanto sobre a prática que pretende e com um parceiro que tenha feito o mesmo, esteja ciente dos riscos que está assumindo ao fazer aquilo e se divirta ao fazer!


36 – Não precisa de D/S para ser BDSM.

Como o acrônimo mesmo sugere B/D, D/S, S/M, há vários modelos de jogos e de relações que não dependem da D/S, assim como cada modelo é independente dos outros podendo ser vivido separadamente.


38 – Onde são feitas as práticas?


São feitas geralmente em lugares privados, evitando a possibilidade de exposição a quem não está acostumado a prática e pode entendê-la de forma errada, então são festas privativas, eventos específicos para o tema, ou dentro de casa, mas sem riscos de atrair atenção dos vizinhos, etc. Como ainda há bastante tabu, apesar de estar melhorando muito nesse sentido, discrição é algo importante.


39 – O BDSM pode ser um jogo sem práticas?


Existem as pessoas que levam o BDSM como lifestyle e não gostam muito de considerar o que fazem como “práticas”, mas tirando os modelos de relações vividos, há um início, meio e fim.


40 – Existe BDSM virtual?


BDSM virtual está para o BDSM assim como sexo virtual está para o sexo ou o webnamoro está para o namoro. A internet pode ser usada como suporte a uma relação no BDSM de pessoas que se encontram com uma regularidade, porém isso é bem distinto do jogo de pessoas que praticam exclusivamente pela internet e nunca se viram.


41 – Quais os tipos de relações possíveis no BDSM?


Existem muitos tipos de modelo de relação, alguns totalmente exclusivos do BDSM e outros de alguma forma “adaptados” de outras práticas fetichistas, seriam alguns: dominação e submissão, tamer e brat, sadismo e masoquismo, rigger e rope bunny, dono/adestrador e pet dentre tantos outros.


43 – Por que as pessoas querem me encoleirar? E eu nem sei o que gosto de fazer. Como descubro isso?


Coleira é quase um “noivado”, o que você faz quando alguém que você não se relaciona, tem pouquíssima intimidade e essa pessoa te pede em noivado/casamento? Coleira exige maturidade, ela é um passo após uma longa negociação de como será o relacionamento dos envolvidos, quando se estabelece prazeres, limites, gatilhos, gostos em comuns, gostos incompatíveis entre outros detalhes. Se há dúvidas do que gosta de fazer, do que tem interesse deixe isso claro, teste as coisas que te interessam e depois converse com o parceiro se quer fazer aquilo outras vezes ou não, mas não tome decisões sem estar seguro dos seus desejos e do seu conforto em fazer aquilo.

44 – Tenho que fazer tudo que pedem?


Não, para isso existe a negociação, para estabelecer limites, descobrir os desejos em comum, os desejos incompatíveis, BDSM é feito para ter prazer e não para viver algo frustrado em nome exclusivamente do prazer do outro.


45 – Como saber se alguém pratica de verdade ou está enganando?


Essa é uma pergunta bastante complicada, a experiência ajuda a perceber isso, na falta de experiência, não faça nada sem antes combinar de conhecer a pessoa em local público, sem ter detalhes da vida da pessoa para além do BDSM que você possa consultar e nunca fazer algo que te deixe desconfortável em fazer, essas seriam as primeiras dicas.


46 – Como sei que a pessoa tem experiência praticando?


Vendo a pessoa praticar, se informando sobre ela com outros praticantes, vendo se o que ela propõe não parece muito imediatista e exclusivamente no próprio benefício, vendo se as histórias que ela conta sobre si podem ser conferidas, etc.


47 – Se eu praticar, vai ser gostoso na hora?


Pode ser que sim e pode ser que não, no período de descoberta às vezes algumas coisas são mais gostosas na nossa cabeça do que de verdade, às vezes a tensão em praticar pode fazer com que o jogo não flua tão bem, às vezes não temos química ou empatia com o parceiro do jeito que imaginávamos, são coisas que acontecem, porém há vezes em que dá muito certo e já no primeiro estalo, primeiro contato já temos certeza de desejar aquilo. Se provou e não foi bom, repense se vale a pena tentar de novo de uma forma diferente, apenas nunca passe por cima da sua segurança e do seu bem estar.


48 – Como segurar a ansiedade na primeira sessão?


É bem difícil, assim como tantas outras coisas na vida, mas sempre pensa no seu bem estar primeiro e que fazer algo com a cabeça no lugar é bem melhor do que por impulso, principalmente quanto a práticas que envolvem riscos consideráveis.


50 – Quais informações devo pedir e passar em uma negociação?


Cada caso é um caso, eu sempre acho bom saber sobre a vida baunilha da pessoa para me passar confiança sobre ela e ver que quem eu estou conhecendo não é só um personagem que ela construiu e faço o mesmo quanto a minha vida, fora isso, deve-se passar informações sobre a sua saúde física e mental, passar informações quanto seus desejos, o que já praticou e tem vontade de repetir, o que nunca fez mas tem vontade de testar e pedir informações quanto as mesmas coisas em relação ao seu parceiro.


51 – Existe uma etiqueta de internet para praticantes de BDSM?


Geralmente quando se entra em contato por grupos, eles informam as regras do grupo que devem ser seguidas, não existe regra universal além do respeito é claro, mas cada grupo tem seu conjunto de regras.


52 – Nem mesmo na dominação e submissão?


Na dominação e submissão às regras e protocolos serão estipulados em negociação, não há nenhuma obrigatoriedade além de cumprir com o combinado entre ambos, e não há qualquer compromisso ou regra do BDSM que faça você ter qualquer tipo de etiqueta ou obrigação com um top/dominador que não seja o seu.


53 – Estou desconfiado que a pessoa só está me mostrando umas fotos aleatórias da internet e dizendo que é ela. Como vou saber que a pessoa está mentindo?


Poste a foto no Google fotos que ela te dirá de onde essa foto foi retirada.


54 – Quais práticas são muito arriscadas para uma primeira sessão?


Práticas que envolvam fogo, sangue, cortes, perfurantes, palmatórias pesadas ou ferramentas de difícil manuseio como o whip, práticas que possam ser traumáticas como fearplay ou rapeplay comece com coisas mais leves e vá gradativamente aumentando a confiança dos envolvidos a ponto de aprenderem e testarem novas práticas.


55 – Qual é o objetivo da prática do BDSM?


O objetivo da prática do BDSM é ter e dar prazer, é lidar com lados seus diferentes do dia a dia, é jogar com o instintivo, com o perigo, mesmo que de forma controlada. O objetivo do BDSM é ter prazer.


56 – Não conheço a pessoa ainda e o tempo todo fica forçando a barra para eu obedecer o que diz. É normal esse tipo de coisa?


Não é normal, corte interações, se for virtual, bloqueie a pessoa e/ou deixe de dar espaço para isso, tudo depois do não é abuso e consensualidade é um dos pilares do BDSM.


57 – A pessoa não quer me falar sobre suas outras experiências BDSM, isso é normal?


Não é normal e costuma ser um mal sinal, não há como construir confiança em quem não consegue falar sobre suas experiências e práticas no BDSM, porque não vai ter como garantir a segurança do que se pretende fazer.


58 – Como conhecer pessoas da minha região para praticar?


Redes sociais como o Facebook, o Instagram, o Fetlife, o Whatsapp ou o Telegram costumam ser lugares para saber de eventos pela sua região. O grupo do Facebook BDSM BRASIL sempre é um bom lugar para saber sobre o que acontece na sua região.


60 – O dominador diz que só fala comigo se eu mandar nude... ele disse que é assim. Que se sou submissa tenho que fazer... tenho mesmo?


Isso é alguém se aproveitando do BDSM para receber fotos íntimas, então, saiba que não há qualquer obrigatoriedade nesse sentido.


61 – Eu me percebi como bottom, qualquer top que vem a mim eu tenho que fazer reverência?


Não há qualquer obrigatoriedade nesse sentido, tudo no BDSM necessita negociação, não há qualquer tipo de obrigatoriedade com quem você não negociou qualquer tipo de comportamento ou prática.


62 – A pessoa me mandou um pedaço de um vídeo praticando. A pessoa que estava recebendo a prática não parecia estar gostando ou feliz. Achei aquilo estranho. É normal as pessoas não gostarem de sessões?


É importante atenção ao que está acontecendo, pode ser um desconforto da prática ou pode ser algo que realmente está for do prazer de quem recebe e o top não perceber, ou pior, não liga muito para isso. Na dúvida, pergunte a mais pessoas do meio o que acharam do vídeo.


63 – O que é uma "sessão" e por que tem esse nome?


Sessão é um conjunto de práticas, assim como uma peça de teatro é separado em cenas, o mesmo acontece com uma sessão BDSM.


64 – Tenho interesse em ser top, mas não tenho segurança em fazer e acho que posso parecer bobo, o que eu faço?


Em primeiro lugar, assuma isso para si e converse com seu parceiro sobre estar iniciando e testando a prática, e que pretende construir junto essa segurança e o jogo de vocês, isso passará mais confiança do que dizer que sabe muito e chegar na sessão e ficar evidente a falta de experiência.


65 – Como passar segurança logo de cara e causar boa impressão na primeira negociação/sessão?


Assuma sua inexperiência e o fato de estar dedicado a aprender e se aperfeiçoar, é melhor do que tentar assumir um papel que não se sustentará e passará insegurança para quem for jogar contigo.


66 – Sou switcher, mas como domme não encontro submissos que veem poder em mim. Será que estou fazendo algo errado?


Há, infelizmente um certo preconceito com switchers ainda, e muitos os que veem o switcher jogando como bottom têm dificuldade em se submeter a ele, muita coisa felizmente está mudando para melhor nesse sentido, mas estabeleça sua personalidade, entenda seu jogo e seu poder de liderança e isso irá transparecer para os outros e com certeza achará um parceiro compatível com seu jeito.


67 – Como separar um verdadeiro top de um falso top?


Eu pessoalmente não gosto dos termos “verdadeiro” e “falso”, o importante é jogar com alguém que você se sinta atraído e que você construa respeito e desejo em obedecê-lo e que essa pessoa seja digna do seu respeito, todo o resto é extremamente subjetivo.


69 – Existe um padrão de beleza no BDSM?


Estamos sempre sujeitos ao padrão de beleza da sociedade, porém no BDSM isso é um tanto mais diluído e um pouco mais plural, os padrões vigentes não foram superados ainda infelizmente, mas há sim uma maior pluralidade.


70 – Sou casada e a pessoa que casei não curte isso. Preciso muito viver o BDSM. O que devo fazer?


É uma pergunta delicada, e cada um saberá ponderar para si, viver o BDSM sem o parceiro saber é uma traição como qualquer outra e isso deve ser levado em conta, com o agravante da possibilidade de acontecer um acidente numa sessão seja contigo ou com seu parceiro e ter de lidar com isso e com a possibilidade de vir à tona. No final, só a própria pessoa pode ponderar os riscos o custo disso, sempre o ideal é trabalhar na clareza e abertura com os envolvidos.


71 – Não tenho o tempo que as pessoas tem pra ficar vivendo o que dizem viver. Fico me sentindo menos BDSMers do que elas. É normal isso?


Não deve se sentir menos ou mais, deve viver seus desejos dentro do que a rotina de uma vida adulta nos permite, já passei longos períodos sem praticar porque minha rotina não me permitia e isso faz parte, um eletricista não deixa de ser um eletricista se não “trocar uma tomada por dia” pelo menos e não passa também a ser “menos eletricista que os outros”.


72 – Se diz que vou ser propriedade é porque tem de me bancar, né?


Não há qualquer obrigatoriedade nesse sentido, se a aproximação com o BDSM não for por fetiche e sim por objetivos financeiros, a chance de se frustrar vai ser bem grande, assim como a questão de “ter que aturar algo” só para ter certos benefícios financeiros.


73 – Eu, como submisso tenho de pagar as contas do meu dom ou domme?


Tudo no BDSM é negociado, não existe obrigatoriedade nesse sentido, se alguém inicia uma conversa já te propondo isso e você não está a fim, encerre a conversa e se relacione com alguém que não tenha essa exigência.


74 – Não tenho grana e tempo pra ir em eventos em outras cidades e conhecer praticantes. Minha vida é muito corrida e nunca pratiquei de verdade. Como consigo resolver isso?


A cena BDSM geralmente se concentra nas grandes cidades e capitais de seus respectivos estados, é bem possível ter contato com material de qualidade pela internet e começar a praticar através dessas orientações, mas é mais difícil, estando disposto a lidar com esse entrave, porque não? O importante é, se o desejo pelo BDSM é tão pulsante, monte um planejamento para vivenciá-lo mais do que dizer para si o porquê não está conseguindo praticá-lo.


75 – Ontem transei e o cara me bateu e eu gostei. Gostei muito. Sou submissa?


Gostar de apanhar faz de alguém masoquista e não submissa, então o jogo do sádico é ter prazer em causar dor, e do submisso em sentir dor, sem qualquer obrigatoriedade com uma D/S, sem ser obrigada a aceitar ordens o qualquer coisa assim, claro que pode jogar com uma relação de dominação e submissão junto com o sadismo e masoquismo, mas repito, não há obrigatoriedade de jogar os dois jogos.


76 – Acho negociação um negócio engessado, eu posso pular a negociação e ir testando as práticas na hora?


Muitas das práticas BDSM envolvem alto risco, “sair testando” pode significar que seu parceiro pode surgir com uma enorme agulha para enfiar em você e você tem fobia, ou não se sente preparado pra isso. O BDSM funciona diferente do sexo em que você tenta e se não for prazeroso você joga a mão para uma parte mais agradável ou vai conduzindo de outra forma. A negociação no BDSM evita experiências traumáticas, evita acidentes.


77 – Esse material de BDSM parece interessante, o que é um bom conselho inicial?


Faça sua pesquisa, Considere ir a um evento, faça parte de grupos que indiquem eventos e falem sobre o assunto, pondere o risco do que pretende praticar, se possível assista outras pessoas praticando o que você tem vontade e só faça algo se aquilo lhe parece interessante/excitante.


78 – Eu tenho fantasias obscuras de algum tipo, às vezes elas me assustam, isso faz de mim uma pessoa ruim?


É bem comum, em algum momento, termos esse questionamento de nos sentirmos culpados por nossos desejos. Mas, se você respeita o seu prazer e integridade, se respeita o prazer e a integridade do outro, qual seria o problema?


79 – Eu tenho uma pergunta referente ao BDSM que não é respondida no FAQ do BDSM, onde posso perguntar?


Temos a página do Sexsência no Instagram, acesse e pode dar sua opinião, fazer suas perguntas e dar sugestões.





#bdsm

#linonaderer

#mariannakiss

#sexsencia



0 visualização

Quanto o nosso conteúdo modificou a sua vida?

A Equipe Sexsência é composta por 6 profissionais que dão seu máximo para a produção de conteúdo nas redes sociais, nas matérias da revista e na produção das lives com entrevistados. 

Nós trabalhamos de forma colaborativa e sem pro labore. 

Apoie o nosso trabalho para que continuemos levando a você conteúdo de qualidade com muita criatividade. Basta apontar o leitor de QR Code de seu celular para contribuições pontuais ou escolha nosso crowdfunding mensal. 

© 2020 by Sexsência

Crowdfunding

Em breve