• Sexsência

Feminização, CD e Sissy

Por Ana Lúcia Rejszkjard


Em tempos de isolamento social que tal viajar um pouco?

Mas não para outra cidade ou país, mas para outro planeta!

Sabemos que os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus, então que tal pensar como seriam as excursões de Marcianos até Vênus?



Foto de Anna Shvets



Nem todo mundo tem o mesmo tempo para viajar, eu sei, então vamos ver o que poderiam ser alguns roteiros:

1 dia em Vênus

(Feminização Básica)


Digamos que nosso marciano tem só um dia para passar em Vênus. Onde ele irá? O que ele fará? Lógico que nesse caso é melhor procurar uma guia, e o que oferecem essas guias?

O básico da vida em Vênus! Naturalmente irá procurar Dommes e Pro-Dommes para fazer a chamada “feminização”. E o que será feito? E mais, ele será obrigado a fazer alguma coisa?


A feminização vai se valer de algum estereótipo, e acaba se valendo do mais conhecido pelo próprio homem, a visão meio machista da mulher. Lemos então que a feminização refere-se à prática de vestir um parceiro submisso de mulher e/ou fazer com que ele se comporte de maneira feminina.


Em outro lugar lemos que a feminização tem como objeto de fetiche se ver como fêmea em posição de total submissão e que o básico desse fetiche é ser submisso à alguém e se comportar/vestir como fêmea, as variações a partir disso são inúmeras e dependem da vontade do dominado e da criatividade de quem está dominando. Alguns submissos gostam de serem ordenados a fazerem as tarefas vestindo roupas de empregada, outros entregam o corpo ao dominador e agem como se fossem cadelas no cio, enquanto outros aproveitam o momento para poderem ser mais emocionais e delicados, o contrário do que uma sociedade machista espera de um homem.


Então é basicamente isso que se pode esperar: usar por algum tempo roupas femininas, geralmente em saltos altíssimos e roupas curtíssimas, maquiagem exagerada, adotar um comportamento mais servil, talvez dançando de modo provocante ou servindo alguém como empregada, tentando ao menos por instante viver uma experiência feminina.

Mas tudo será sempre consensual, nada jamais será verdadeiramente forçado.


1 mês em Vênus

(Play Partner de Feminização)


Alguns marcianos têm mais tempo, então eles podem passar um período maior em Vênus, como se fosse quase um curso intensivo. Como se aproveita um curso intensivo, então? Lógico que ainda com a ajuda de uma guia local, que fará as lições intensivas, por exemplo em inversões e outras práticas, talvez até mesmo introduzindo outras dinâmicas não diretamente associadas, como spanking e até cintos de castidade.


Mas aí o nosso marciano já ganhará mais confiança, e passará a depilar as pernas e axilas, por exemplo, além é claro de incorporar elementos de vestuário no seu quotidiano. Contudo, será ainda somente com a sua guia que ele se manifestará plenamente como estudante de intercâmbio, se esforçando para ser mais natural e feminina a cada sessão.

Ele ainda não é capaz de se vestir sozinho e não possui suas próprias roupas ou perucas, nem sabe se maquiar.


Essa prática de feminização está intimamente ligada a inversão de papéis, que seria uma prática, um jogo onde a mulher com Strap-on (cinto com vibro) passa a ter papel de homem e penetra no parceiro que passa a ter papel de mulher ou em alguns casos em outra mulher e, portanto, pode ser associada ao mundo BDSM.


Lemos o depoimento da Senhora XXX, dominadora que faz inversão, que no caso dos homens ela exige serviço completo, que se apresentem como uma verdadeira “Sissy” ou ela mesma faz a feminização como disciplinadora que curte feminizar submissos e até se propõe a ajudar na transformação de um macho a uma linda pequena mulherzinha, com maquiagem, vestido e salto alto, transformando macho em cadela para seu bel prazer depois de transformar, penetrar, com strap on, com a língua e com os dedos (inversão de papéis).


E prossegue: “Muitos me perguntam se isso é algo forçado ou condição para a entrega. Depende… exijo o que é a melhor forma da pessoa se sentir minha menininha, com salto alto, lingerie completo, calcinha, sutiã, vestidinhos e peruca, tudo com delicadeza e qualidade, posições, gritos, trejeitos, caras e bocas, senão, punição a base do chicote. Serão invertidos, seja como for.


Para as cadelas que não tem experiência nessa prática … não abro mão de que serão minhas cadelas, minhas escravas e eu possa currar, humilhar e se precisar surrar, porque sou sádica… sou uma sádica e serei seu macho alpha na hora de currar seu rabo…” Aqui entra uma pequena confusão: muitos homens têm fetiches por usar roupas de empregadinha ultra sexy de Sex Shops e fazer alguma cena como preliminar de uma inversão, por exemplo, e isso acaba sendo chamado erroneamente de uma Sissy.

Na verdade, uma Sissy se trata praticamente de um compromisso para toda a vida, algo bem diferente de ser um play partner fixo de feminização.


1 ano em Vênus

(Crossdressers)


Existem outros que pretendem aprender mais a fundo como é ser uma venusiana, e vão passar todo um ano de aprendizagem. Se bem no início fazem uso de uma guia, depois já se soltam e começam a experimentar sua vivência como se fossem nativas. A depilação passa a ser normal, e eles não apenas já têm suas próprias roupas, perucas, maquiagens e calçados, como são capazes de se vestirem sozinhos e se portaram bastante bem como venusianas. Começam praticando sozinhos, depois em grupos, e finalmente ganham coragem para andarem sozinhos nas ruas em meio às venusianas.

São os chamados Crossdressers.


E vamos lembrar como elas se definem:


A definição de Crossdresser (CD) implica vestir-se com as roupas designadas para o gênero oposto, sem assumir publicamente essa identidade. O comportamento característico de um CD é chamado de crossdressing que consiste no uso sistemático ou eventual, classificado como meramente uma ação sem causar efeito social ou afetivo a partir desse fenômeno em si. Em simples palavras, é homem, que por alguma razão, gosta, deseja, ama, adora e tem verdadeira loucura na prática da arte de se vestir como mulher, sem necessariamente ser homossexual, podendo até ser casado, levando uma vida normal masculina e tendo, geralmente, uma vida clandestina como mulher.

Eles já sabem se maquiar naturalmente, sem exageros, e se vestem também com roupas cotidianas, sabem em grande medida se comportar em público e, se bem que nem todos tenham coragem de sair às ruas, alguns deles criam a coragem e descobrem que podem sim estar em meio às outras pessoas sem dramas ou grandes problemas.


Visto de trabalho em Vênus

(Sissy)


Alguns marcianos decidiram já buscar um visto de trabalho em Vênus!

Boa parte deles já esteve em contato com a cultura de Vênus por bastante tempo, podendo inclusive ter passado pelas outras fazer, mas eles sabem que querem ser o mais próximo do que possam conseguir de serem verdadeiras venusianas, e para isso não medirão esforços!

É aqui que surgem as Sissies! Estes são marcianos que têm todas as suas próprias roupas e perucas, calçados e acessórios, maquiagens e afins. Sabem cuidar da sua aparência como as venusianas e se apresentam como elas, até mesmo com uma fala e voz femininos!


Mas sabem que são marcianos, e nunca se esquecem disso. Lembrando que a Sissy é um macho genético que adota comportamentos hiperfemininos, e se engaja em atividades estereotipadas como “femininas” (por exemplo, serviços de limpeza, empregada, etc., devidamente vestido como mulher).


Há algum grau de sobreposição, então, entre a Crossdresser e a Sissy, uma vez que ambas são homens, mas aqui temos um aspecto interessante que as diferencia: enquanto a Crossdresser se veste e se comporta como qualquer outra mulher, usa roupas contemporâneas e maquiagem mais ou menos discreta, dependendo da ocasião, e, principalmente, age como a mulher contemporânea, sem ser menos que um homem ou intimidada por eles, ou seja, sem assumir qualquer posição de subserviência ou de servidão, típica de um submisso no BDSM; já a Sissy corresponde a uma versão totalmente diferente de mulher, ela é a mulher pensada negativamente como a “mulherzinha”, subserviente, servidora, “recatada e do lar”, a imagem da mulher dependente do marido, a dona de casa típica dos filmes dos anos 1940 e 1950. A Sissy busca ser como uma sub, quase uma escrava, como entendido atualmente no BDSM nacional. Mas também é capaz de sair em público e se misturar com as demais pessoas sem nenhum desconforto, conseguindo passar desapercebida e ser vista como qualquer outra mulher.


Migrar para Vênus

(Mulheres Trans e Travestis)


Todos nós sabemos que algumas almas nascem em corpos que não correspondem à sua identidade de gênero, e, mesmo contra tudo e contra todos, vão em frente e vivem sua felicidade. Aqui temos os marcianos que migraram para Vênus.

Mas, aí já é uma outra história… Agora haverá sempre quem nunca poderá ir para Vênus, nem por um dia, e só ficará sonhando e olhando fotos. Este é aquele que tira fotos usando uma calcinha foi dental e se chama de CDzinha. Vive o seu entendimento do que seria ser uma mulher (usar calcinha foi dental) e nunca dá um passo adiante.


O fascínio da feminização


Como escrevi em outro artigo, um dos maiores tabus da sociedade consiste no rompimento de um dos maiores dogmas da sociedade, a negação do lado viril do ser nascido homem.

Essa é uma questão que está presente na sociedade já há muitos séculos, remontando à época do antigo Império Romano, quando, apesar da grande liberdade sexual e da aceitação do homossexualismo (para o qual não há sequer uma palavra em latim que descreva a prática), um homem era condenado publicamente se fosse visto como efeminado. Semelhantemente, na tradição judaica, há leis que detalham especificamente penas para o homem que se deitasse com outro como se mulher fosse… Talvez seja por isso que o tema causa ao mesmo tempo tanto medo, fascínio e confusão.


Feminização é machista?


Ainda que no princípio a feminização possa sim usar elementos machistas na representação da figura feminina, esse é apenas um ponto dentro de um universo muito maior que é a feminização. Conforme se prossegue na jornada esses estereótipos caem por terra, e todo um universo se abre diante dos olhos de quem visita esse planeta maravilhoso chamado Vênus.


Sobre a Autora


Ana Lúcia Rejszkjard, 53 anos, Crossdresser e Sissy, praticante de BDSM e portadora de um visto de trabalho para Vênus há algumas décadas, orgulhosa portadora de uma coleira e atualmente reclusa esperando o final dessa pandemia infinita, aproveitando o tempo para aprender a lidar com uma nova situação após ter perdido parte dos movimentos de uma das mãos.







#bdsm

#sissy

#sissification

#feminizacao

88 visualizações0 comentário

Quanto o nosso conteúdo modificou a sua vida?

A Equipe Sexsência é composta por 6 profissionais que dão seu máximo para a produção de conteúdo nas redes sociais, nas matérias da revista e na produção das lives com entrevistados. 

Nós trabalhamos de forma colaborativa e sem pro labore. 

Apoie o nosso trabalho para que continuemos levando a você conteúdo de qualidade com muita criatividade. Basta apontar o leitor de QR Code de seu celular para contribuições pontuais ou escolha nosso crowdfunding mensal. 

© 2020 by Sexsência

Crowdfunding

Em breve