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Gestação e sexualidade

Por Marianna Kiss

Pense numa entrevista emocionante que fez muitas mulheres chorarem no final?! Pois bem, assim foi a live que fiz com a fisioterapeuta em obstetrícia e sexualidade, Sandra Sisla, que atua na área desde 1986. Sandra é especialista em todos os períodos e ciclos da vida da mulher, desde a adolescência até a menopausa, passando também pelo momento da gestação e preparação para o parto e, atuando como doula no acompanhamento intra parto e cuidados no pós parto – ciclo gravídico puerperal. É uma profissional completa. Entendeu agora porque ela emocionou o público? Justamente porque abordou dois temas super tabu: gestação e sexualidade.

Imagem do canva.com


Quando pensamos em gestação, sempre colocamos a mulher numa redoma de mitos e tiramos dela, dentre outras coisas, seu papel sexual. Há maridos que morrem de medo de machucar o bebê durante a penetração, ou que perdem/diminuem o desejo sexual pela parceira porque não entendem o seu momento – os hormônios entram numa montanha-russa diária e ela ganha aquela barriguinha acompanhada ou não de excesso de peso. Há também as mulheres que perdem completamente o desejo sexual ou os têm em demasia. Há as que se acham muito feias e perdem a libido por si mesmas, pois sentem todos os sintomas possíveis de uma gravidez – enjoo, excesso de cansaço e sono, dores no nervo ciático, azia e etc. – e lidar com tudo isso dá um baita trabalho. Há as que desenvolvem diabetes, hipertensão gestacional, dentre outros problemas e são aconselhadas por seus ginecologistas obstetras a não transarem por determinado período ou durante toda a gestação e há aquelas com a saúde em dia que têm sexo liberado até o dia de parir. E, no meio de todas essas possibilidades há o nosso sentimento de mulher que vai passar com muita insegurança por todas essas transformações. Vai rolar a insegurança de não saber o que vai acontecer com nossos hormônios, de não conseguir lidar com o marido antes – pelo medo de machucar o bebê e por isso evitar o sexo – e depois da gestação – visto que muitos disputam a atenção da mãe com o bebê –, de não nos acharmos lindas e atraentes porque nosso corpo muda completamente, de não imaginarmos como ficará nossa relação com o parceiro porque temos certeza de que, com a “paixão” pela cria vamos ignorá-lo...

E, no meio disso tudo ainda há as mães solo que terão de buscar apoio em amigos e familiares – no caso de maridos rabugentos, isso poderia ser uma vantagem. São muitas questões envolvidas e por isso, o trabalho de uma profissional como a Sandra é essencial, ainda mais a partir de julho de 2021 que ela vai se formar como terapeuta sexual junto comigo.


O trabalho de Sandra é focado na preparação da mulher para o parto fisiológico – natural ou normal – não apenas sob o aspecto perineal como também o global. Contrapondo, principalmente, o pensamento cultural de que a mulher não é capaz de parir e por isso precisa de alguém ou de uma intervenção como um corte no períneo – episiotomia –, ocitocina sintética ou analgesia, por exemplo. Ela instrui a mulher para vivenciar a potência de um parto por meio de um trabalho corporal onde libera tensões e a prepara para lidar com a dor fazendo com que ela se autoperceba e possa relaxar no momento da passagem do bebê. Ai se eu conhecesse esse tipo de trabalho na minha gestação, de repente não teria sofrido 14 horas com as contrações e no final não teria de fazer uma cesariana porque minha menina não saia de jeito nenhum – desproporção encefalopélvica. Sandra comenta que de fato há bebês que não passam de jeito nenhum e nestes casos, as cesarianas são realmente necessárias, mas aconselha que as mulheres que desejam gestar não se permitam influenciar pelos diversos mitos que nos rodeiam como o de doer muito, de não ter dilatação do colo do útero suficiente, da vagina ficar flácida ou “arrombada” após a passagem do bebê e do corpo não voltar mais ao normal. Ela ressalta que nós mulheres, temos o corpo perfeito fisiologicamente, ou seja, com tudo pronto para fazer esse processo acontecer e não precisamos ter medo. E, juntas, concordamos que a sexualidade está no bio, psico e social – é o primeiro preceito da terapia sexual – ou seja, a gestação e o parto estão na nossa cabeça também.


A fisioterapeuta alerta também sobre a influencia de médicos cesaristas que evitam ao máximo o parto fisiológico, justo pela facilidade da hora marcada e vão implantando esses medos aos poucos na cabeça da gestante. Eu mesma, passei na mão de uma ginecologista que antes de me passar o exame de confirmação da gravidez avisou que só realizava cesariana. Aqui no Rio de Janeiro, isso é mais comum do que eu imaginava e, pela graça divina do universo da sexualidade, eu caí nas mãos da doutora Jaqueline Fernandes que além de ter sido exímia no meu pré-natal, teve todo o amor possível comigo e insistiu até o último segundo pelo parto normal... Fomos para a mesa de cirurgia e ela falou “vamos tentar só mais uma vezinha”, mas não teve jeito e minha filha começou a entrar em sofrimento. A melhor decisão foi mesmo pela cesariana.


E, para lidarmos com o sexo após o parto?! Risos. Sandra diz que cada cliente é uma e a recomendação geral é que nós mulheres não precisamos ter pressa para voltar com a vida ao normal. Eu, como passei por isso há um ano e meio, confesso que ficaria de boa sem sexo, pois meus hormônios se voltaram todos para a maternidade, contudo, como sou trabalhada na expertise sexual e penso muito no meu marido que sempre foi um ótimo pai, no meu casamento, que é regado à parceria e em mim, que antes de ser mãe sou mulher, coloquei o sexo na cabeça após a quarentena e me lancei à sorte. Deuuuuu muito certo, pois embora eu não tenha tanto desejo, na cama ele é tão carinhoso que logo, logo me excito e a casa pega fogo – mesmo que na maior parte do tempo só tenhamos 10 minutos entre um choro e outro. O exercício da paternidade e da parceria é altamente excitante, #ficaadica para os homens!


Imagem de divulgação


E, se você vai passar por isso e está insegura, não tenha medo... Segure na mãozinha da Sandra e na minha que te ajudamos a passar pela gestação da forma mais leve possível. Ela está no www.sandrasisla.com.br e eu no www.sexsencia.com.br. Ah! E assista a entrevista completa no Instagram @sexsencia.


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