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Guia para iniciantes para relações não monogâmicas

Por Natasha De Rose


Os relacionamentos permeiam o funcionamento do mundo, não importa qual seja sua cultura. Porém, nem todos se relacionam da mesma forma. A cultura ocidental é repleta de signos como comédias românticas, músicas pop, comerciais publicitários, a própria religião, ou seja, tudo é feito para normalizar a monogamia como única opção de relacionamento. Mais ainda, a monogamia como o único modelo de relacionamento "real". Porém relacionamentos não monogâmicos vêm ganhando popularidade não é de agora. Há momentos na história que isso se intensifica, outros que se amorna, mas estamos num momento em que definitivamente as relações não monogâmicas estão ganhando força a partir do momento em que as pessoas vêm explorando a liberdade de ter o que querem, seja sexo, amor, parceiros múltiplos, descobrir novas práticas ou mesmo todas as opções.

Se você é novato no que se diz respeito da não monogamia, principalmente no conceito de não monogamia ética, tudo isso pode parecer intimidador para você. Como tudo isso realmente funciona? Todos realmente fazem o que querem indiscriminadamente? E se alguém se apaixonar? E as crianças? Todas essas perguntas são totalmente legítimas. Porém a resposta para elas é: Depende da relação, pois cada uma delas é totalmente singular. As relações não monogâmicas não possuem um formato único, elas são adaptadas para atender as necessidades dos envolvidos.



Foto de S. Hermann & F. Richter


Os arranjos não são estáticos, eles podem ser fluidos e é indicado que sejam, até porque não nascemos não monogâmicos. Então normalmente criamos acordos mais fechados para então partirmos para acordos mais abertos.


A seguir podemos encontrar alguns dos mais comuns arranjos de relacionamentos:


"Don't ask don't tell" (não pergunte que eu não digo):


A expressão vem do que é utilizado nos EUA, porém aqui no Brasil a maioria das pessoas utilizam a expressão "americanizada", que significa um acordo entre as partes do qual qualquer relação de fora não é mencionada nem trazida para dentro da relação. Estes, mantém relações independentes um do outro, mantendo-as em segredo por meio de acordo. Normalmente escolhem esse tipo de acordo pessoas que ainda estão se ambientando e não estão preparadas para ver ou ouvir sobre com quem o parceiro(a) está se relacionando. É aconselhável que esse assunto seja introduzido aos poucos até que a pessoa esteja se sentindo confortável para tal.


Swing


Há muitas discussões sobre o swing, se ele realmente é uma prática não monogâmica visto que há muita gente monogâmica que o pratica, mas eu posso lhe assegurar que há uma linha tênue no swing entre a monogamia e a não monogamia, pois as pessoas monogâmicas tem o hábito de frequentar casas de swing, e no dia seguinte retornarem para suas vidas monogâmicas como se nada houvesse ocorrido, e nem por isso passam a se considerar não monogâmicas. Mas naquele momento elas estão numa prática não monogâmica a partir do momento em que levam suas esposas e seus maridos para um ambiente onde são realizadas trocas sexuais, prática não aceita na monogamia.

Logo, podemos definir o swing como a prática do sexo puramente recreativo, na maioria das vezes a dois, com pessoas fora do relacionamento, para se divertir. As pessoas se encontram em festas de swing, encontros online ou marcam festas privadas entre amigos. Casais costumam ficar com outros casais para troca no mesmo ambiente. Grande maioria dessas pessoas tem fetiche exibicionista e/ou gosta de ver o parceiro tendo relações sexuais com outra pessoa. O sexo a três também é um elemento da cultura swinger, onde o casal principal busca o que chamam de "unicórnio" para se relacionar com eles. Quando o casal é homem x mulher, é comum que a mulher seja bissexual e se busque outra mulher bissexual como "unicórnia". Atitude demonizada por muitos, outras pessoas gostam, e outras entendem que ainda há muito a ser discutido. Porém esse arranjo pode ser buscado de diversas formas com pessoas de diversas sexualidades.


Poliamor


Literalmente traduzido como "muitos amores", esta é a prática de encontros simultâneos ou relacionamentos com múltiplas pessoas. Neste modelo, falamos de relações afetivas, não apenas sexuais. Muitas pessoas poliamoristas são casadas ou vivem com alguém enquanto mantém parceiros afetivos adicionais. Enquanto existe uma pessoa primária da qual se mora junto, tem filhos; o parceiro secundário não é necessariamente menos importante. Porém, há pessoas que decidem colocar hierarquias nesses relacionamentos, outras decidem por não colocar, mas justamente por conta dessas variáveis citadas anteriormente como morar juntos, filhos, etc, a hierarquia acaba surgindo naturalmente.

As possibilidades de uma relação poliamorista são diversas. Casais podem ter uma namorada ou um namorado ou ter um encontro com um casal, três ou quatro pessoas podem estar num relacionamento juntos (conhecido por trisal ou quadrisal). Esses relacionamentos podem ser abertos para conhecerem novas pessoas ou podem ser fechados onde somente os membros do trisal ou quadrisal podem se relacionar entre si, conhecido como polifidelidade. E algumas pessoas praticam a anarquia relacional, onde todas as relações são tratadas como iguais, sem dar prioridade a nenhuma delas. Cada relação pode funcionar se estiver de acordo com as necessidades dos envolvidos.


Este é um pequeno resumo de como as relações não monogâmicas podem funcionar, no futuro explicarei mais sobre este universo tão denso. Espero que a maioria das perguntas sobre as definições tenham sido respondidas. Caso tenham dúvidas, não hesitem em enviar, quem sabe ela não seja ideia para uma pauta?


Natasha De Rose é psicóloga especialista em transtornos de humor, em psicologia positiva e poliamor, além de pós-graduanda em terapia cognitivo comportamental. Ministra aula no IIPSI+ e no CPAF-RJ e é a mais nova colunista do Sexsência.






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