Hormônios do sexo, com o Dr. Alexandre Dell’ Aquila

Atualizado: Jul 21

“Sou um entusiasta em qualidade de vida e, por isso, aprimorei minha formação profissional para conseguir cuidar das pessoas. Acredito que curar vai muito além de tratar doenças, afinal, a prevenção é a base de uma vida mais saudável.” Alexandre Dell´Aquila


Em territórios Sexsenciais não pairam apenas profissionais das artes de conteúdo adulto, celebridades e sexólogos. Eu também entrevisto grandes nomes da medicina e o rei dos céus do mês de junho foi o Dr. Alexandre Dell’ Aquila para falar sobre a influência dos hormônios na sexualidade. Com pós-graduação em medicina e nutrologia esportiva, prática ortomolecular, em ciência da longevidade humana e em endocrinologia, Alexandre tem se dedicado a aumentar a qualidade de vida de seus pacientes, proporcionando bem-estar físico, gerenciamento de peso, diminuição do estresse e melhorando a performance do sono, da vida sexual e da autoestima. Opa! Olha o gancho para o Sexsência aí e você acha que eu iria perder a oportunidade?! Não sou boba, né?!


Eu o conheci numa aula extra na pós-graduação em terapia sexual pela Cefatef que estou cursando. Num primeiro momento o que me chamou a atenção, assim como a toda turma, foi a beleza e simpatia, mas estas foram logo esquecidas quando ele começou a aula... De uma qualidade de detalhes e informações que me deixou excitada intelectualmente por duas horas. Poderiam ter sido mais, justo porque quanto mais eu estudo mais eu sei que nada sei e aí busco conhecer mais e mais – e a redundância é proposital. Fiquei muito feliz por ele ter aceitado o convite para a entrevista no Sexsência, logo, aí vai uma palhinha do que ele nos ensinou:


Sexsência: Qual a diferença entre hormônios e neurotransmissores, visto que em matérias da mídia eles são facilmente confundidos?


Dr. Alexandre: Ambos são ferramentas de comunicação do nosso corpo. Ao falarmos em neurotransmissor devemos pensar na situação onde um neurônio conversa com o outro. Temos milhões de neurônios no nosso Sistema Nervoso Central que transmitem informações químicas uns aos outros. Uns têm função excitatória que nos deixam mais motivados e agitados enquanto outros são inibitórios e nos deixam relaxados. Já o hormônio é uma substância produzida por uma glândula que vai enviar informação para outra glândula ou órgão. Por exemplo, nossa hipófise produz o RSH, hormônio folículo estimulante, e este envia uma informação para o testículo para que ele realize uma determinada função como a espermatogênese. Ou o LH, que vai aumentar a produção de testosterona. Esse é um jeito bem fácil do público entender.


Sexsência: Qual é o hormônio bambambam da sexualidade masculina?


Dr. Alexandre: Eu tenho certeza de que muitas pessoas pensaram na testosterona e aí nos vem aquele discurso machista “a minha testosterona está em 800” e isso é bem comum. Sim, a testosterona é muito importante em todas as fases da resposta sexual, mas muitos se enganam quando pensam que a resolução de um problema sexual, como por exemplo, a falta de interesse, se dá apenas pela reposição desse hormônio. Há também em cena, o estradiol, a dopamina, a serotonina, a acetilcolina, o óxido nítrico, a ocitosina e a prolactina. Já deu para entender que sexo não é brincadeira. Sexo é a junção de um sistema hormonal e vascular. E sim, existem alguns hormônios e neurotransmissores importantes, mas falar que um deles é o “pai” da situação, seria injusto. Eu já vi homem com 800 de testosterona – taxa bem alta –, teoricamente com a libido* lá em cima e com problemas de ereção e desejo sexual hipoativo, logo eu acho que todos os hormônios e neurotransmissores envolvidos são importantes.

Sexsência: Já ouvi as vozes populares dizendo por aí que as mulheres grávidas de meninos têm mais testosterona no corpo e por isso ficam com o desejo sexual estimulado. Procede?

Dr. Alexandre: É uma coisa da cabeça de cada um, porque a produção testicular de testosterona no feto é muito pequena se pensarmos nela provocando um efeito sistêmico na mãe. Aliás, a gestação é um dos momentos mais complicados quando se fala em libido... Ocorre o aumento de progesterona e isso provoca uma série de queixas sobre a queda da libido.


Sexsência: O homem que toma anabolizante sem prescrição médica tem ou pode ter disfunção erétil?


Dr. Alexandre: O que vai acontecer é que no momento que esse homem estiver usando esse excesso de testosterona ele vai ter aumento de disposição e libido. Só que esse excesso é visto pelo nosso corpo como um nível acima do que ele está acostumado a produzir e entende que precisa diminuir a produção. Quando esse homem para de usar a testosterona, os níveis do hormônio produzidos de forma natural já estão diminutos. Já tratei casos de 50 de testosterona quando a média varia de 300 a 800. Durante o uso da testosterona artificial as taxas dele pulam para dois mil chegando a dez mil, e ele está ali, bombando. De repente ele para sem o acompanhamento correto e a taxa de testosterona cai de cinco mil para 50, ou seja, há junto uma queda de libido muito brusca. Por isso que nós fazemos uma terapia pós ciclo para reestabelecer a produção de testosterona. E é importante o homem saber que o seu corpo estava acostumado com uma taxa muito alta de testosterona durante o ciclo de anabolizante e em seguida ela cai e aí, com a terapia pós ciclo ele volta para 500, o que é uma taxa normal, mas com essa diferença considerável ele pode continuar tendo a falta de libido dentre outras queixas sexuais. Esse é um dos mecanismos provocados pelo uso de anabolizantes. O outro é que a testosterona é convertida no hormônio estradiol num processo chamado de aromatização, o que é normal num nível fisiológico. Com o uso de anabolizante esse excesso de testosterona pode se transformar em excesso de estradiol, o que pode provocar ginecomastia (crescimento das mamas) e queda de libido, dentre outras complicações. Para evitar isso, os homens usam uma medicação inibidora da aromatase.

Eu, como médico do esporte não incentivo ninguém a fazer uso de anabolizante, mas é preciso descriminalizar essa pessoa que chega a um consultório com esse problema. Eu não trato com julgamento, pois senão o tal vai sair do meu consultório e fazer o “tratamento” com o amigo da academia.


Sexsência: Já li pesquisas que afirmam que os gordinhos têm excesso de estradiol e por isso demoram a ejacular. E, associa-se essa demora com mais proatividade para satisfazer a parceira de outras formas, o que faz deles serem melhores na cama. É verdade?


Dr. Alexandre: Sim. O processo de aromatização ocorre na gordura onde há a enzima aromatase que vai transformar a testosterona em estradiol. Os gordinhos, por terem mais gordura, têm mais aromatase, logo, taxas maiores de estradiol e consequente demora para ejacular.


Sexsência: Com quantos anos a testosterona no homem começa a diminuir?


Dr. Alexandre: A curva do hormônio tem um pico na adolescência e quando o homem chega aos 30 ela estabiliza e em seguida começa a cair. Essa queda é lenta e gradativa. Até os 40 anos o homem não sente tanta diferença. Aumenta consideravelmente após os 50 e aí é hora de analisar se a queda hormonal está afetando a vida sexual para se iniciar uma terapia de reposição, a TRT. A partir dessa idade o homem entra na andropausa, a qual não é tão sintomática quanto a menopausa da mulher. É preciso estar atento também a médicos mais conservadores que olham uma taxa de 290 e afirmam que a testosterona está normal e não há motivo para a falta de libido, mas o indivíduo continua cansado, desmotivado e com queixa sexual, ou seja, é preciso interpretar as taxas analisando todo o histórico do paciente, pois dependendo da idade e do estilo de vida a taxa que para a maioria é normal, para ele não é.

Hoje, vejo no consultório pacientes por volta dos 30 anos com a testosterona lá no pé e não é por falta de produção testicular, mas quando vou investigar o tal, ele não tem hábitos de vida saudável, se alimenta mal, não dorme direito, é estressado, obeso e sedentário e isso tudo provoca a diminuição do eixo hipófise testicular, ou seja, a glândula encefálica não consegue informar à glândula sexual que ela precisa produzir testosterona. Sendo assim, o paciente não precisa repor e sim “fazer” testosterona e para isso precisa mudar seus hábitos. O estresse provoca o aumento do hormônio cortisol que também provoca a diminuição da testosterona.


Sexsência: E sobre aquelas injeções aplicadas direto no pênis para tratar da disfunção erétil que vemos muito em comerciais de TV?


Dr. Alexandre: Há sim indicações para a aplicação, como para homens diabéticos ou com problemas vasculares, mas não para todos os homens que acham que têm disfunção erétil e correm para essas clínicas. Há agentes dopaminérgicos ou vasodilatadores, mas é preciso cuidado com algumas propagandas enganosas porque não é todo homem que tem disfunção por causa de vasodilatação, por exemplo. O indivíduo pode estar num mix de situações que envolvem ansiedade, estresse ou ele está com pouca testosterona. Ele pode estar agitado e com o seu sistema nervoso simpático provocando tensão e com a noradrenalina alta, mas para que ele tenha ereção, precisa estar com o sistema parassimpático ativo, ou seja, com o corpo relaxado para a produção do neurotransmissor acetilcolina que atua na intumescência peniana. Em geral, os homens que correm para este tipo de tratamento não passaram por terapia sexual ou não tiveram uma anamnese detalhada pelos seus médicos. Já me deparei com um paciente de 50 anos onde sua disfunção sexual, claramente, não era de cunho patológico, mas que aplicava injeções no pênis na hora do sexo.


Sexsência: Percebo que muitos clientes veem buscar informações ou a um terapeuta que eu indico e alegam que não podem pagar pelo atendimento, mas na hora do vamos ver investem alto nessas injeções milagrosas. Então, segue a dica: aproveite a opinião profissional do Dr. Alexandre e valorize o nosso trabalho, pois não estamos aqui de brincadeira e nem inventamos do nada que o cérebro é o maior órgão sexual do ser humano. Tudo o que falo no Sexsência, seja pelo conteúdo ou pelos comentários nas lives, é pautado em muito estudo e pós-graduações caríssimas que eu invisto porque amo esse trabalho e me preocupo de verdade com a resolução do seu problema.


Dr. Alexandre: O que percebo é que ainda há um tabu do homem ser o machão que se garante em pegar a gatona da balada, mas aí a coisa não acontece ou porque ele bebeu ou está ansioso porque a parceira é nova. E, eu vou chutar certo hein, mais de 90% das disfunções sexuais são provindas de questões psicológicas. É preciso ser observada a parte médica e endocrinológica, mas a cabecinha precisa estar no lugar. E há homens que mesmo com injeções junto com o uso do azulzinho, não conseguem ter ereção. E, como o Paulo Tessarioli – meu mestre, terapeuta sexual e colega profissional do Dr. Alexandre – diz, o homem reverbera a ansiedade do “não vou conseguir” e de fato não consegue. Enquanto ele não entender porque aquilo está acontecendo, ele pode tomar o que for que não vai conseguir ter uma relação sexual prazerosa.


Sexsência: Mudando o assunto para hormônios femininos, o que você acha do uso da pílula anticoncepcional? Ela diminui o desejo sexual?


Dr. Alexandre: Eu sou um dos caras que bate contra o uso dos hormônios anticoncepcionais orais. A pílula faz um grande mal para a mulher e uma bagunça hormonal, provocando a queda da libido, doenças tromboembólicas, acnes, celulite, oleosidade da pele, sangramentos ginecológicos, retenção de líquido e tudo o que eu falar aqui se encaixa. É claro que há mulheres que realmente precisam tomá-la por questões ginecológicas como por exemplo, o caso de ovário policístico onde mudanças de hábito e alimentação não solucionaram o problema. Contudo, se o fator for apenas anticoncepcional existem métodos não hormonais como o diu de cobre e o de prata. As contraindicações são bem pequenas em vista da pílula. Há também o diu hormonal que tem progestina – é um composto sintético do progestagênio que tem efeitos similares aos da progesterona –, inicialmente achava-se que ele tinha influência apenas no útero, mas nós já sabemos que ele também tem uma ação sistêmica, embora menor que a da pílula. Os ginecologistas que só indicam o uso da pílula desconhecem os prós do diu e ignoram a vida sexual da mulher, mesmo porque não são especialistas em sexualidade.


Sexsência: Qual é o hormônio sexual feminino que faz o corpo da mulher pipocar de tesão?

Risos


Dr. Alexandre: Também seria injusto falar que é a testosterona ou o estradiol. Ambos são muito importantes para a fase do desejo que está relacionada a ambos, além da alta de dopamina e baixa de serotonina, neurotransmissores. Quando se fala de orgasmo, o hormônio envolvido é a ocitosina. Cada fase da resposta sexual tem os seus mandachuvas. São mais de dez combinações entre hormônios e neurotransmissores que fazem uma relação sexual prazerosa. Assim como citei sobre o mix de situações que influenciam o equilíbrio hormonal dos homens, o mesmo vale para as mulheres. Por exemplo, o uso de antidepressivo aumenta a serotonina e, consequentemente, diminui a libido e, se for feito o uso junto com a pílula... Acabou! Fecha a porta pro sexo. É possível brincar também com a suplementação ou alimentação, por exemplo, o FEA, que é o feniletilamina, o neurotransmissor da paixão, com função excitatória que vai se transformar em dopamina aumentando a sua libido, você o estimula comendo chocolate, maçã, chá verde e castanhas. Trabalhar com sexo não é simplesmente dar testosterona, o buraco é muito mais embaixo.



Gente linda, esse homem só não é mais completo porque só tivemos uma horinha de live. Sem contar que não consegui colocar tudo aqui o que conversarmos por lá e por isso você terá de conferir a entrevista completa no IGTV do Sexsência. Mas duas coisas são certas: os homens não podem ter receio de consultar um endocrinologista e muito menos chegar lá com o próprio diagnóstico pronto já decidindo por uma reposição hormonal, é preciso se colocar na mão de especialistas que se preocupam com o organismo como um todo e eu digo mais, é preciso unir a saúde física à emocional numa boa terapia sexual também. Ano que vem estarei formada, mas enquanto isso posso indicar profissionais de peso para você.

E, aguardem, pois o Dr. Alexandre vai voltar para falar exclusivamente sobre menopausa. Acompanhe tudo no Instagram @sexsencia.

Saiba tudo sobre o trabalho dele no site www.dralexandredellaquila.com.br.


Leia a edição de julho da Revista Sexsência no https://03fa6c40-27c5-4b01-a28b-3e2c5e157823.filesusr.com/ugd/7cf313_75480b19f9b84aa4a3c88c6ff1368931.pdf


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre: identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


Conheça também os cursos que ministro no https://www.sexsencia.com.br/cursos-e-treinamentos e meus livros no https://www.sexsencia.com.br/copia-meus-livros


Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia. #asclitonianas


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Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia. Marianna Kiss

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