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Lidy Silva

Por Marianna Kiss


Lidy Silva é diretora de filme adulto e está em alta no mercado. Ela concorreu na sexta edição do Prêmio Sexy Hot, o Oscar do pornô brasileiro, com seu longa “Massagem excitante” em duas categorias: melhor filme e melhor direção – única mulher a disputar ambas. E ninguém melhor do que uma profissional do ramo para trazer mais naturalidade ao tema, pois não?!

Ela iniciou sua carreira em 2011, por meio de seu atual esposo, o também diretor de filme adulto Fábio Silva. Eles eram amigos desde a adolescência, até que um dia forma flechados, mas o que ela não sabia é que ele era ator pornô. Logo no início da relação, Lidy, assumindo ciúmes, pediu que ele parasse de atuar, mas, pouco tempo depois, percebendo a abstinência do companheiro, passou a incentivá-lo a voltar ao ramo, só que dessa vez como diretor.



Sexsência: Você se excita durante as gravações?


Lidy: Às vezes sim, o que significa que a cena foi muito bem feita. Mas na maior parte das vezes fico muito focada para entregar um trabalho com qualidade.


Sexsência: Você sente vontade de dirigir outros tipos de filmes? Quais?


Lidy: Nunca senti essa vontade, mas é algo a se pensar futuramente.


Sexsência: Quais tramas você já contou nos seus filmes?


Lidy: O massagista que foi seduzido pelas clientes, no longa “Massagem excitante”; a vizinha gostosa que provoca todos os caras da rua, no “A dama do pedaço”; e um roubo na casa da milionária Raquel, onde há cenas heterossexuais, de ménage e de lesbianismo, no “La Casa de Raquel”, o qual dirigi junto com meu marido.


Sexsência: Qual é o seu foco nos filmes?


Lidy: É, sem dúvidas, o prazer feminino. Finalmente tem crescido as opções de conteúdos para nós mulheres, focando que o prazer da mulher é importante. Eu procuro colocar nas histórias dos filmes a mulher que buscamos ser: confiante, empoderada e feliz.


Sexsência: Qual o seu público? Homens ou mulheres? Qual a orientação sexual deles?


Lidy: Acho que meus filmes são inspiradores tanto para homens quanto para mulheres, principalmente para casais heterossexuais.


Sexsência: Você acha que o conteúdo inspira casais?


Lidy: Com certeza sim. A mulher é criativa, e às vezes falta algo para a relação, e com os filmes com histórias bacanas elas fantasiam e muitas se veem no próprio filme.


Sexsência: Vocês se envolvem sexualmente com atores?


Lidy: Essa é uma pergunta que muitos fazem. Risos. Quero deixar claro que existe um respeito e acima de tudo o profissionalismo, logo não nos envolvemos com atores.


Sexsência: As gravações te inspiram no sexo com seu marido?


Lidy: Às vezes sim.


Sexsência: A relação de vocês é aberta? Rola ciúmes?


Lidy: Ah, tem de ser aberta, né? Mas o ciúme sempre tem, né? Risos.


Sexsência: Rola ciúmes profissional por vocês exercerem a mesma função?


Lidy: Ciúmes profissional não.


Sexsência: Você fica enjoada de tanto ver gente transando?


Lidy: Até momento não. Risos. E espero não sentir enjoos, gosto muitoooo de sexo.


Sexsência: As décadas de 1980 e 1990 foram o auge do pornô e havia grandes nomes, principalmente de atores e atrizes. No mercado atual e com o advento da internet há muitas gravações caseiras ou amadoras. Essas gravações concorrem com filmes como o seu (longa)?


Lidy: Existe público para ambos por serem estilos diferentes. O amador sempre teve uma procura maior por ser conteúdo real e a busca por conteúdos amadores cresce cada dia mais.


Sexsência: Você disputou o prêmio de melhor filme e melhor direção em 2019 com seu esposo. Há concorrência entre vocês?


Lidy: Trabalhamos para obter o melhor resultado possível e sempre estamos juntos em todos os trabalhos, então não existe concorrência e nem competição, mas é lógico que a palavra final é sempre minha. Risos.


Sexsência: Ele palpita no seu trabalho como diretora e vice e versa?


Lidy: Sim, até porque temos visões opostas e todas opiniões são sempre aproveitadas.


Sexsência: Hoje, há nomes de atrizes e atores famosos como antigamente? Quais?


Lidy: Sim, claro. Há a Elisa Sanches, a Patricia kimberly, a Mia Linz, o Ed Junior e o Loupan.

Sexsência: Quais são as produtoras atuais de maior sucesso?


Lidy: Hardbrazil, Sexfoxxx, Brasileirinhas, Black Brothers, Infinity, BM Vídeos, Redfire, MM Vídeos, WS Filmes e a Xplastic.


Sexsência: E os diretores?


Fabio Silva, Gil Bendazol, Stanlay Miranda, André Garcia, Javier Falcon, Brad Montana, Marcos Moraes, Paulo Soares, Rayssa Garcia, May Medeiros e Helaine Muzzy.


Sexsência: Como você enxerga o cenário atual?


Lidy: Temos de nos reinventar dia a pós dia, com a aceitação dos filmes amadores, o crescimento da pornografia gratuita está cada vez mais na internet, diante desse quadro se manter no mercado está complicado com tantas ofertas.


Sexsência: Quais as categorias que o público mais gosta?


Lidy: Hetero, loiras, mulatas, bumbum gg, novinhas, gordinhas e milfs*.

* MILF é um acrônimo em inglês que significa "Mom I'd Like To Fuck", e refere-se a sexo com mulheres mais velhas com idade suficiente para serem mães de determinados parceiros mais jovens.


Sexsência: Como ocorre o casting para seus filmes?


Lidy: Recebemos inúmeros e-mails todos os dias, procuramos selecionar quem reside em São Paulo, assim fica mais fácil para concluir os trabalhos. Em seguida, fazemos uma série de perguntas como por exemplo, por que a pessoa deseja entrar para o ramo. Damos preferências a quem diz gostar muito de sexo, que é o motivo certo. Para outras respostas aconselhamos que a pessoa repense do que deseja de verdade com esta profissão.


Sexsência: Há muitas críticas ao pornô com relação à antecipação da vida sexual de adolescentes além da “deseducação” sexual de adultos. O que você me diz dessas críticas.


Lidy: As críticas vão sempre existir, e isso acontece por falta de orientação. Os pais não têm facilidade de conversar com os filhos sobre a importância do sexo, e muitos não tem conhecimento e informações adequadas. Há a necessidade um maior investimento na educação sexual e em campanhas para divulgar o sexo seguro. Tenho um filho com 18 anos e temos uma facilidade muito grande em falar sobre sexo. Não é o filme adulto que deseduca.

Sexsência: Você já pensou na sua vida após o pornô? Ou o que vai fazer quando se aposentar? Acha que vai enfrentar preconceitos?


Lidy: Nunca parei para pensar nisso. Gosto de curtir o momento. E em relação ao preconceito, ele já existe e muitos amigos se afastaram.


Sexsência: Nas décadas de 80 e 90, muitos atores/atrizes se arrependeram de atuarem no ramo devido aos preconceitos atrelados ou ao motivo errado do encontro da profissão. O que você pensa sobre isso?


Lidy: É um assunto bem complicado de falar, todos entram sabendo o que vão enfrentar preconceito, famílias que não aceitam, e ninguém é obrigado a fazer pornô.


Sexsência: Ainda sobre as décadas de ouro do pornô, sabe-se que os cachês eram altos. Como estão os cachês de hoje?


Lidy: Nos últimos 10 anos, o consumo de conteúdo adulto deixaram de se concentrar nas produtoras tradicionais para ser capitaneado por seus próprios, onde produzem vídeos de forma independente, com isso as produtoras não têm a mesma demanda que na época dos DVDs, logo os cachês acompanharam essa realidade.


Sexsência: Onde ou em que ou quem você se inspira para criar roteiros e dirigir os filmes?


Lidy: Procuro sempre colocar os meus próprios sentimentos e as minhas fantasias, mas confesso que muitas vezes olhei uma mulher ou um homem na rua e automaticamente inúmeras ideias surgiram. Risos. E curto muito os filmes da Erika Lust. Me inspiram muito.


Sexsência: Há críticas também com relação a falta de veracidade nas cenas, como por exemplo, um fisting demora horas para acontecer e nos filmes ocorre em poucos minutos. Ou ainda pela falta de histórias (há filmes que duram apenas o tempo de uma penetração). O que você pensa sobre isso?


Lidy: Tem críticas sim, são construtivas, e com isso vamos nos ajustando para melhor atender o nosso público.


Sexsência: Sua família sabe de sua profissão? Enfrentou preconceitos por conta disso?


Lidy: A minha família sabe, e em nenhum momento sofri preconceitos por parte deles.


Sexsência: O que uma pessoa precisa para ser atriz/ator pornô?


Lidy: Tem de estar ciente sobre o preconceito perante a sociedade, e ter a certeza que é isso que ela procura mesmo.


Sexsência: Você tem filhos? O que eles acham de sua profissão?


Lidy: Tenho três filhos, o de 18 anos aceita a minha profissão de boa, ele fala que é o mesmo que dirigir uma novela, a diferença que o sexo é explícito. Os outros dois são pequenos, não têm noção do que é o meu trabalho.


Sexsência: Caso não, conhece diretores ou atores com filhos? Como eles lidam com os filhos que sabem? Eles escondem? Como os filhos se comportam quando sabem?


Lidy:´É uma convivência normal, independente da profissão, existe o respeito mútuo de pais para filhos.


Sexsência: Conte-me uma situação engraçada vivida durante as gravações.


Lidy: Estava dirigindo uma cena de ménage com dois atores e uma atriz. Um dos atores não conseguiu segurar a gozada que seria destinada ao rosto da atriz. Ela acabou gozando em cima da barriga do outro ator.


Sexsência: Qual foi o filme que você mais curtiu dirigir?


Lidy: Massagem Excitante. Nesse filme, confesso que fiquei excitada, a cena do Loupan com a Mary Lhutay ficou top.



Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:

identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia.


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Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

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