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Mulata não!

Por Vanne Costa


Aos 11 anos de idade pude entender que eu era negra, preta, crioula ou mulata. Era assim, que eu era classificada aos olhos das pessoas a minha volta. Nunca fui magra, desde pequena fui bem gordinha e bem agitada. Pode até parecer engraçado, mas infelizmente não era.


Primeiro que “mulata” vem da palavra “mula”, que era o termo usado para destacar os filhos de escravas com seus senhores ou o contrário, fato que torna a palavra muito racista. Porém, você encontra a "mulata" na bossa nova, na poesia, o que automaticamente remete à beleza. De qualquer forma, ser chamada de "mulata" era algo que me incomodava muito, mesmo eu não sabendo o que significava naquela época.


A sociedade espera de uma mulher mulata um corpo "violão", um longo cabelo cacheado e lábios grossos. Ah! Tem de saber sambar, por que afinal preta que é preta já nasce com o samba no pé, não é mesmo? Não! Não é! Assim como todo ser humano, nós pretas também temos o nosso diferencial. Nem todas sabem sambar, nem todas vão ter o corpo dos "sonhos masculinos". Mas, uma coisa é certa, todas já nascem sabendo das lutas que terão de enfrentar, não só para sobreviver como para viver também.



Então, afinal o que é a beleza negra? A beleza negra é um sorriso largo no rosto de cada mulher ou homem que carrega na sua história a alegria de viver. A beleza negra está em cada passo dado, em cada conquista realizada na vida de um negro, principalmente se for uma mulher. Sambando ou não, cabelos longos ou não, a beleza sempre estará presente no olhar, no corpo e principalmente no tom da pele. A verdade é que sendo preta ou não,

ninguém tem a obrigação de ser "padrão". Mas o rosto de uma negra carrega consigo muitas histórias e dentro dessas histórias existem lágrimas, sorrisos e muita serpentina que sempre serão jogadas na esperança de que dias melhores e sem preconceito racial virão. Respeitem a nossa história e deixem que a nossa beleza seja cada vez mais enaltecida, não por caridade ou pena e sim por reconhecimento da história que carregamos na nossa pele. Salve a mulher brasileira! Salve a mulher negra!

Com carinho,

Vanne Costa.



Vanne Costa é estudante de psicologia e estreou como colunista na Revista Sexsência e no youtube.com/sexsencia em fevereiro de 2020. Ela é blogueira do "Bora falar sacanagem". Eu a convidei por ser um símbolo de coragem e empoderamento feminino. Vanne é gorda e preta e não tem vergonha de seu corpo ao exibi-lo no Instagram (@vanne.costa@)... Mais um motivo de minha admiração. Ela se tornou uma grande amiga pessoal tamanha foi a nossa sintonia.


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