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Não binarismo, com Tyaro Maia

Por Marianna Kiss


Homem ou mulher? Que coisa mais ultrapassada para se limitar o ser humano, pois sim? Sempre trato meus clientes ou os anônimos que me procuram como seres humanos e só depois pergunto como eles se sentem e como gostam de ser tratados. Hoje não mais podemos nos limitar às aparências vistas por nossos olhos, visto que homens também usam saia e batom, coisa que me surpreendo ao ver o incômodo de pessoas que ainda não se acostumaram a apreciar mulheres usando calças e cabeça raspada. O uso de calças já se faz há séculos.



“O”, “a”... Eu gostei dessa coisa de “i” ou “e”: “estagiari”, “linde”, “menine” e por aí vai... Eu poderia dissertar sobre o tema agora, mas prefiro deixá-lo para várias edições da Revista Sexsência e por isso, vou deixar Tyaro Maia falar por mim.


1. O que significa o não binarismo para você?


Reconhecer e revelar um corpo político que não se encaixa nos padrões sociais de identidade de gênero binária (homem × mulher).

Vale lembrar que: "Identidade de gênero diz respeito à maneira como a pessoa se enxerga, sendo o gênero com o qual ela se identifica. A pessoa pode ser cisgênero, pois identifica-se com o mesmo gênero que lhe foi dado no nascimento; transexual e/ou transgênero, no caso das pessoas que se identificam com um gênero diferente daquele que foi dado no nascimento e não binários, no caso de pessoas que não se identificam com nenhum dos dois gêneros.

Já a orientação sexual se relaciona à expressão do papel sexual e depende do gênero pelo qual a pessoa desenvolve atração sexual e laços românticos."

2. Em que momento da sua vida você se identificou como não binário?


Desde sempre fui uma pessoa que não se encaixava nos grupos e comportamentos binários normativos, sempre existiu uma necessidade de me achar e me entender neste planeta, ainda mais nascendo lido como homem. Graças a minha mãe, muito sensível, sempre tive incentivo para ser livre e experienciar o que eu quisesse ser.

3. Fale sobre a reação da sua família e do seu meio social.

Eu sofri um bocado nas escolas já mais na adolescência, era difícil a socialização nos ambientes opressores que eu passei, salvando algumas exceções! Com a família, acho que é sempre uma luta, eu tenho muitos parentes e praticamente só eu sou assumido gay e não binário. Tirando duas primas minhas, de resto todos com uma identificação binária e hétero normativa. Nesse sentido me faltou em alguns momentos referências que eu pudesse trocar e me identificar.

4. Você se relaciona sexoafetivamente somente com pessoas não binárias?


Não necessariamente, eu prezo mesmo é pela liberdade de me relacionar com quem eu quiser.

5. Passou por algum constrangimento ou situação de violência ou preconceito por ser não binário?


No Brasil, que vergonhosamente, tem altos índices de homofobia e os maiores índices de transfobia, todo dia a gente passa por provações e situações de constrangimento. O grau e tipo da violência vai depender do território que você frequenta e circula, quanto mais privilégios mais assegurados estarão seus direitos.

6. Qual faixa do seu disco marca mais o não binarismo e qual faixa é mais marcante pra você e por quê?!

“Logum Edé” pode ser a faixa que mais deságua o não binarismo no disco, por trazer a força desse orixá que carrega qualidades e características feminina e masculina. “Canção xodó” que já me curou muito nessa caminhada, foi feita em parceria com Nana Orlandi e já tinha sido gravada anteriormente no disco Boca de Nego, minha primeira produção musical coletiva antes de lançarmos o disco CabocloSereia.

“CabocloSereia” é a faixa que dá nome ao disco e apresenta essa entidade que me atravessa e damos vida coletivamente. A música me chegou no momento crucial de escolher traçar um caminho artístico "solo". Foi feita em parceria com Doralyce. Eu tinha uma parte dela já encaminhada e mandei pra Dora que chegou com tudo profetizando um mito que revela a entidade na canção.

Música é transformação e ressignificação, você projeta e materializa o que escolher cantar... E essa me chegou como uma força, uma cura, um olhar para esse resultado/processo de crescimento em vida.


Eu, como a boa provocadora de almas e de sexualidades perseguidas pelo moralismo que sou, me encantei com a figura do Tyaro desde a primeira vez que o vi. Ser humano apaixonante e indecifrável, tamanha é a transparência e simplicidade com que vive a vida... É assim que ele se apresenta nos palcos também.


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:

identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.

Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia.


#tyaromaia #caboclosereia #naobinarismo #autoestima #lbgtqia+ #lgbtpride


Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss


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