O mito do corpo perfeito

Atualizado: Jul 21

(Matéria da Revista Sexsência edição de janeiro)


Chegamos em janeiro e finalmente é verã


o. Você esperava ver no Sexsência um corpo escultural na capa em homenagem a estação mais quente do ano?! Pois bem... Ela está na capa! Luciene Oliveira é uma mulher linda e escultural. Mesmo com seus 125 kg distribuídos nos seus 1,73 de altura ela foi esculpida pela genética de forma perfeita, sem mais nem menos e foi por isso que ela ganhou a capa todinha só pra si, sem a chamada das demais matérias... Tantas letras rabiscariam a sua beleza, concorda comigo?!


Está me achando maluca por afirmar isso?! Se eu intriguei você, a intenção foi essa mesma... Quero te fazer pensar no que significa beleza para você e se há limites e restrições para cada indivíduo se achar lindo do jeito que é e reverberar isso ao universo... Ao menos no Universo da Sexualidade isso é possível e agradabilíssimo.



Ah! Você está pensando em virar a página porque a Lulu te incomoda por ser fora dos padrões de beleza atuais?! Continue comigo... Somos – nós humanos – altamente mutáveis e nos tornarmos reféns de um corpo é nos limitar a uma única possibilidade de ser feliz baseando nossa autoestima nisso. Agora me acompanhe...


Na Pré-História a beleza dos homens se dava por meio de enfeites como garras e dentes de animais. Isso valorizava os caçadores. Já para as mulheres, a obesidade era o ideal estético perfeito visto que estava associada à fertilidade. Na Idade Média não havia padrões justo porque todos viviam cobertos da cabeça aos pés por conta do domínio da Igreja, então a gente pula essa parte. O Renascimento trouxe à tona os padrões da Antiguidade: cabelos longos e formas avantajadas para as mulheres e corpos musculosos e sem pelos para os homens. Prestou atenção em “formas avantajadas”?! Ou seja, muitas curvas não importando o peso das mulheres distribuído em suas alturas. A obesidade representava status, riqueza e ostentação, o que só estava disponível para um pequeno grupo da nobreza. Magreza era sinal de pobreza – quem não tem dinheiro para comer não engorda – ou então de pessoas sem saúde e sem graça seguindo o mesmo viés. Ainda no período do renascentista bonitos eram os que tinham testa grande e quanto mais aparente melhor. As pinturas comprovam isso. Tinha gente que arrancava os cabelos e aplicava química no couro cabeludo só para aumentar a testa. Os sacrifícios pela aparência perfeita não são recentes.


A obsessão pela magreza começou a partir do século XVI com o uso de espartilhos e corpetes. O problema é que vinham junto os desmaios frequentes pela falta de oxigênio e até costelas quebradas por conta do aperto. Fala sério, né?! Se bem que eu já vi gente desmaiando na academia porque corre na esteira usando aquelas cintas modeladoras. Essa busca pelos quilos a menos perderam força no século XIX e os corpos rechonchudos voltaram a ser valorizados, principalmente na classe burguesa. No século passado – XX – mudou tudo de novo e, embora os espartilhos tivessem sido propositalmente extintos, os sutiãs ganharam força. Imagine o porquê. O homem ideal passou a ser modelado por atletas e celebridades e as mulheres, pelas modelos de passarela. Com a expansão da TV e do cinema essa busca desenfreada pelo corpo perfeito só fez frustrar muitos de nós. Cirurgias são realizadas de forma irresponsável e odiar o próprio corpo tornou-se um transtorno chamado dismorfobia.


“E o mito? Onde entra nessa história?”. Ele entra na própria história visto que os padrões sempre foram fruto da cultura, além de totalmente mutáveis, logo não há nada cientificamente que comprove o que é um corpo perfeito. Temos magros sofrendo com pressão alta e problemas cardíacos e gordos muito saudáveis. Genética é genética e ela só deve ser combatida em prol da saúde. Afetou a saúde e mudar vai te garantir mais qualidade de vida? Então, o Sexsência incentiva a mudança... Mas, mudar só para se enquadrar no padrão atual colocando sua autoestima na balança?! Isso não! Afinal o Sexsência incentiva você a seguir a sua essência seja ela qual for – gordo, magro, careca, cabeludo, preto, branco, azul, homossexual, bissexual, heterossexual, cisgênero, transgênero, não-binário, assexual e por aí vai. Há humanidade em você? Então, quantos quilos você pesa pouco importa.


A busca pelo corpo perfeito só provocou crises de identidade e desordens na nossa autoestima. Criou um monstro do bullying e leva muitos jovens ao suicídio. Até quando vamos contribuir para que o “parecer” continue mais importante do que o “ser”? Eu estou aqui fazendo a minha parte e em nome do Sexsência eu apoio e amo essa onda pluz size que tomou conta das redes e nos fez enxergar pessoas lindas sob qualquer forma física. Pronto! Falei!


Agora vamos falar um pouco da nossa musa da capa... Luciene Oliveira tem 42 anos é empresária do ramo de produtos eróticos (@luludeliciasdeprazer) e ama ser fotografada. Ela não é modelo, gosta apenas de brincar de vez em quando ainda mais quando a fotógrafa, Luciana Nogueira, também é uma clitoriana – se você não sabe o que é isso, veja a entrevista da Wal e Cris Souza no Sexsência que foi ao ar em novembro (youtube.com/sexsencia). Lulu, como gosta de ser chamada, topou fazer as fotos pelo simples motivo de se achar sexy e maravilhosa depois de uma temporada se relacionando com um homem que não lhe dava valor e a fazia se sentir um lixo. Pode isso, Sexsência?! Claro que não! Mas, Lulu deu a volta por cima, acabou com o casamento e se entregou aos seus desejos. Fotos sensuais elevam muito a autoestima de uma mulher, ainda mais quando ela é obesa desde a infância e não se aceitava tamanha era a pressão alheia. Que coisa feia, hein... Você que é magrinho e faz bullying com os gordinhos saiba que eles são melhores na cama e eu já provei isso entrevistando o Rodrigo Teixeira, rei da #queissogordinho.


A nossa capa já passou por constrangimentos como uma vez em que entro numa loja para comprar um cinto para o filho e o vendedor foi logo falando que não tinha o produto para ela, ou seja, o cara foi tão mal-educado que nem a deixou falar o que desejava. Depois de mil dietas malucas, hoje, Lulu está super satisfeita com seu corpo ainda mais com a humanização das celebridades. Os vinte quilos a mais da Cleo (Pires) e o bombardeio de haters nas redes sociais só serviram para favorecer a despadronização da beleza. Afinal de contas não há como continuarmos padronizando corpos e comportamento num planeta onde há 7 bilhões de indivíduos diferentes, vivendo sob culturas diversas. Não somos farinha para nos colocarmos num bolo só e quem ainda compartilha desse ideal, além de fora de moda pode se tornar sem sal justo por querer ser igual a tantos outros.




A beleza está na diferença de corpos, almas e corações. O colorido deve ser não somente na bandeira da diversidade sexual como também no nosso olhar sobre o outro e é por isso que eu encerro este texto citando o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano:


“A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa.” Portanto, faça do seu corpo um templo sagrado onde sua essência possa usufruir deste planeta sem frustrações. E, na dúvida me procure nas redes do Sexsência... Eu vou amar guiar sua autoestima por aí.


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:

identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.

Conheça também os cursos que ministro no https://www.sexsencia.com.br/cursos-e-treinamentos e meus livros no https://www.sexsencia.com.br/copia-meus-livros

Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia.

#mitodocorpoperfeito #luludeliciasdeprazer #lucieneoliveira #gordofobia #mulhergorda #autoestima


Leia a edição de janeiro completa da Revista Sexsência no https://03fa6c40-27c5-4b01-a28b-3e2c5e157823.filesusr.com/ugd/7cf313_cab62a233d234d08936fa13dd8c24b37.pdf


Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

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