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O que faz um terapeuta tântrico?

Por Marianna Kiss

Tantra... Sexo tântrico... Terapia tântrica... Massagem tântrica... Todas essas palavrinhas estão na moda, mas você sabe que filosofia de vida é essa? O que faz um terapeuta tântrico? O que você pode experimentar numa sessão de massagem tântrica? Ou acha que tudo relacionado ao tantra se resume aquele sexo oferecido nas casas de massagem da vida e que os terapeutas fazem sexo com as clientes? Não!!!! O tantra nada tem a ver com isso!


Tantra é uma filosofia comportamental, oriunda do oriente, que preza pelo desenvolvimento integral do indivíduo englobando suas vidas física, psíquica e espiritual e que, segundo o Centro Metamorfose “é um caminho de acesso ao potencial energético criativo e libertador existente na raça humana, ainda em estado germinativo, mas prestes a desabrochar, desde que encontre as condições propícias.” Contudo, principalmente no ocidente, a filosofia tântrica foi completamente deturpada ao ser disseminada por falsos gurus em prostíbulos e casas de massagem e por isso passou a ter significado pejorativo estando sempre e unicamente ligada a sexo de entretenimento. E, para desconstruir esse mitozinho sem pé nem cabeça, o Sexsência convidou Evandro Palma, terapeuta tântrico referência em São Paulo para conversar conosco.

Ele tem um sorriso encantador e assim que entrou no ar comigo eu tive um estalo e lembrei de um final de semana de pós em que rolou um evento, ministrado por ele, bem pertinho de onde estávamos, no Espaço Metamorfose. Olha a coincidência!!! Por um triz – se o professor tivesse liberado a turma a tempo – eu não o conheci pessoalmente. E mais! Ele foi aluno dos meus mestres Paulo e Graça Tessarioli dividindo turma da pós graduação em terapia sexual com a Dra. Andrea Dell´Aquila – que também está nesta edição da revista – e estudou com a sexóloga Van Inhesta – que entrevistei em julho. Vixi... Eu juro que é pura coincidência... É que as redes sociais vão nos indicando um perfil aqui e ali e eu vou conhecendo, me apaixonando por esse povo e chamando para lives.


Evandro é formado em psicologia e ao longo de sua vida atuou na música e nas artes cênicas, até que um dia, por causa do teatro, ele precisou de um espaço para ensaiar... E daí, ele conhecia alguém que conhecia alguém que o levou a um local recém montado na Vila Madalena, em São Paulo, chamado Centro Metamorfose. Lá, ele sempre era recepcionado com algo muito interessante: abraços de um jeito que não estava acostumado. E olha que ele era super íntimo da afetividade que ocorre no teatro... Mas, daquele jeito, era a primeira vez. Ele riu e relembrou o que pensou na época “opa, isso vai soltar, não vai soltar, quando vai soltar”. Confesso que isso me deixou muito curiosa e juro que está na minha listinha de coisas a experimentar assim que acabar a pandemia do coronavírus. Até que foi convidado a voltar num sábado pela manhã para acompanhar um curso de massagem tântrica ministrado por lá, que na época, em 2007, só havia uma única técnica: estímulos com deslocamentos realizados pelo corpo com um toque muito leve e lento.


O terapeuta conta que a primeira vez que realizou o procedimento, tanto para receber quanto para fazer a massagem tântrica, ele sentiu que mudou de estado e ficou eufórico, alegre e expansivo de um jeito exacerbado. Ele compara esse momento com os relacionamentos interpessoais, onde sempre estamos reticentes e com o pé atrás, nunca nos entregando íntima e completamente. Evandro relata o quanto uma simples técnica dessa filosofia de vida chamada tantra consegue nos deixar mais espontâneos. Segundo ele, o tantra permite nos apropriamos de nossos aspectos sensoriais e derruba alguns, quando não todos, os filtros que nos atrapalham nas relações, principalmente a sexual.


Ele comparou a experiência às aulas de fisiologia da faculdade quando estudava sobre os neurotransmissores e percebeu que o estímulo da massagem tântrica aumentou o potencial elétrico de seu corpo. Logo, se fizesse isso em larga escala haveria a manutenção do estado químico de seu organismo e, consequentemente a sensação de plenitude, necessária para se estabelecer uma relação com o outro, ocorreria com maior facilidade. Opa! Você lembrou da live que fiz com o Dr. Alexandre Dell´Aquila? Eu também! Pois bem, Evandro encarou os três anos de formação, hoje é terapeuta tântrico também e não parou mais de estudar o assunto.

Evandro afirma que as pessoas exploram, comumente, no máximo 30% da capacidade corporal nas relações sexuais, pois há diversos fatores como o afeto, o desejo e o tesão que são precipitadores do prazer e aí, os envolvidos no ato sexual querem logo atingir o orgasmo ignorando outras possibilidades. Já no consultório sob a terapia tântrica, o profissional vai atuar no corpo do cliente de maneira reflexa, ou seja, há mais tempo para se trabalhar o potencial elétrico do corpo, contudo, sem os precipitadores do prazer. E o que isso significa?

Que o objetivo não é o orgasmo, o qual marca o final do ato com um parceiro e sim a exploração das possiblidades de prazer daquele corpo. Opa! Lembra que a Dra. Andrea Dell´Aquila falou na live que o orgasmo é uma descarga elétrica e quanto mais estímulo maior é a intensidade orgástica? Logo, está aí a finalidade da técnica da massagem tântrica, por exemplo, que não é a única aplicada na filosofia, mas é a mais procurada: que você se conheça sexualmente de forma a ponto de melhorar a sua vida como um todo. Você só não pode se apaixonar por ele ou ela, hein!



Evandro cita que essa confusão de sentimentos pode ocorrer porque tem gente que só desenvolve o potencial orgástico no consultório, principalmente, as pessoas que não conseguem se relacionar afetivamente, e é aí que entra os seus demais dotes como terapeuta sexual e psicólogo. Evandro deixa claro que o terapeuta tântrico não faz sexo com o cliente – se você é abordada (o) sob essa ótica chame a polícia que é abuso, hein – e muito menos se relaciona com ele de forma pessoal ou afetiva. O objetivo do profissional é desprogramar comportamentos que um indivíduo foi condicionado a ter sobre os estímulos que conhece. E ele faz isso por meio de técnicas como a massagem, que ressignifica o prazer, e a meditação, que trata sensações ruins ou a lembrança de experiências desagradáveis gerando descargas de serotonina e ocitocina. Obviamente, é muito mais comum a procura pela massagem, pois ela estimula o uso de músculos além da área genital – os quais não estamos acostumados a acionar durante o orgasmo – o que é essencial para intensificar e expandir o efeito terapêutico dessa sensação. Além de promover o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico e genitais também com o propósito orgástico. Logo, Evandro e o Sexsência deixam claro que o terapeuta tântrico atua no campo da sexualidade e não do sexo e assim, há um casamento perfeito com a terapia sexual, também, para o tratamento de disfunções sexuais como a anorgasmia e a dispaurenia para mulheres, por exemplo e disfunção erétil e ejaculação rápida para homens.


Quer profissional mais incrível e com tantos saberes como ele? Imaginou ser uma cliente dele? Então, acesse seu perfil no Instagram, @evendropalma e assista a entrevista completa – e com muito mais informações, é claro – no @sexsencia.

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