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Quem manda no BDSM: o top ou o bottom?

Por Marianna Kiss


“ – Sua dona quer saber se você está usando o que ela ordenou.

– Sim: calcinha de couro, plugue anal e cinto de castidade.

– Diga ao público o que você é e para o que serve.

– Sou um escravo mansinho, servil e dedicado e sirvo para uso e abuso.

– De quem você é?

– Sou da Dame Lótus”



Uma exímia dominatrix que se preze não apenas libera que seu escravo seja entrevistado como também deixa algumas recomendações e eu, que não sou besta de contrapor suas ordens, neste caso, obedeci fielmente. Ou você acha que eu iria perder a oportunidade de conversar com o primeiro submisso a pisar em território Sexsência? Jamais!


Ao contrário do que muitos baunilhas pensam, um submisso no BDSM seja ele um escravo, um money slave, um bottom, uma sissi ou como deseje ser denominado mediante a prática envolvida, não é um indivíduo isento de vontade própria, extremamente obediente, sem iniciativa para coisa alguma ou passivo o tempo todo na vida real. Não! Esse papel é exercido somente na fantasia praticada numa cena ou play. Na vida real, a maioria dos escravos do BDSM – e isso o documentário “Explicando o Sexo” disponível na Netflix deixa bem claro – são homens e mulheres cheios de responsabilidades na vida e em geral, exercem cargos de chefia em seus trabalhos. Logo, querem no âmbito sexual, apenas se entregarem às vontades de seus dominadores para que eles conduzam a brincadeira que, com certeza, vai levá-los ao prazer. E não pense você que são os tops que comandam o BDSM e sim os bottons.


“Como assim, Kiss?”


Eu adoro quando você me faz essa pergunta.


Sim, são eles que colocam seus lombos e costas às chicotadas, são eles que tomam pisadas nos testículos e são impedidos de ter um orgasmo, são eles que são “obrigados” a se vestirem e se portarem como uma mulher e realizarem tarefas domésticas (no caso, homens), são eles os usados como ATM human e depositam dinheiro nas contas de seu dominadores para a compra de mimos e supérfluos, são eles os humilhados e aterrorizados psicologicamente por extremos sádicos, são eles os bichos amarrados em cordas e impedidos de se mexerem. É muito para a sua imaginação? Você ainda não viu nada e sei que a dúvida ainda perpetua na sua cabeça “como assim, após tanta humilhação são os submissos que comandam o BDSM?”. Gata (o) garota (o), o verdadeiro poder não está nas mãos daquele que decide o que fazer e sim nos lábios daquele que pronuncia a safe word quando algo está passando dos limites, ou diz de antemão até onde seus reis e rainhas podem ir antes de uma play começar, ou ainda na decisão de assinar ou não um contrato de escravidão. São os submissos que imploram para serem dominados por pessoas escolhidas a dedo. Eles não estão disponíveis como carnes penduradas num açougue para serem adquiridos. Previamente, eles sabem muito bem a quem desejam idolatrar, logo, o poder do BDSM é todinho deles. Mas é óbvio que no universo da fantasia e dos fetiches sadomasoquistas eles atuam para que as dominatrix e dons se sintam os donos do pedaço. Essa é a graça da brincadeira e sem isso não há a humilhação necessária que lhes proporciona tanto prazer.


DL Gregório começou no BDSM aos 19 anos quando morava nos Estados Unidos, onde a cultura do couro e das fantasias eróticas são muito mais disseminadas e permitidas, visto que ninguém se mete nas quatro paredes dos vizinhos. Assim que começamos a live no Instagram, o capacho – é assim que gosta de ser tratado – cometeu o grave erro de esquecer de colocar sua coleira. Pobre homem... Dame Lótus estava presente e logo prometeu uma sessão de mil chicotadas pelo esquecimento onde ele agradeceria sorrindo por cada uma delas. Pobre homem? De coitado ele não tem nada. Na vida real – e não é de bom tom revelar sua identidade – ele é um homem extremamente culto e sócio de uma grande empresa carioca. Tem em seu acervo uma das primeiras literaturas sobre dominação e submissão: A Vênus das Peles, de Leopold von Sacher-Masoch (alguma semelhança com o termo “masoquismo” não é coincidência, mas não falarei sobre aqui visto que não é objeto da matéria, ok?!). E, no auge de seus 57 anos, se sente um garoto cheio de energia quando se depara com a submissão de sua dona. Ou Ele conta que nunca foi curioso por experimentar o papel de dominador e já teve um casamento baunilha. Não vive a relação 24/7, mas anda obedecendo sua rainha fielmente durante a dominação a distância nessa quarentena. Ele revela também que “já ocorreu sangue numa cena... Entramos tão profundamente na play que perdemos o limite”. Dame Lótus logo disse que não foi com ela, o que me lembra de ressaltar a condição SSC: são, seguro e consensual.


Ou seja, no BDSM a prioridade é o prazer e em seguida a segurança da cena para que ninguém se machuque, embora os castigos precisem deixar alguns hematomas para o dia seguinte, visto que eles causam extremo tesão no submisso quando, ao visualizá-lo, lembra de toda a brincadeira realizada. Ah! E tudo precisa ser consensual, logo, todos os castigos e humilhações aceitas são assim feitas por vontade própria. As “obrigações” e “imposições” ocorrem apenas no âmbito da fantasia e por isso as coloco entre aspas.


Quer saber mais? Então confira a entrevista na íntegra no Instagram @sexsencia e mate sua curiosidade! E, se ficar aí de braços cruzados perdendo tempo eu vou lhe deixar 30 dias trancado numa gaiola de galo e depois mais 30 se não espalhar esta revista aos amigos! Fui clara ou preciso iniciar agora uma sessão de cock and ball torture para você começar a se mexer?!


Estou me acostumando com o poder. Risos.


Um salve e um agradecimento especial para a Dame Lótus que permitiu que eu o entrevistasse no Sexsência.




Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre: identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


Ah! Me acompanhe também nas redes sociais, no Instagram estou como @sexsencia e @mariannakisskiss e no youtube.com/sexsencia. #asclitonianas


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Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia. Marianna Kiss


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