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Terapia no stand up paddle

Por Marianna Kiss


No Rio de Janeiro é verão o ano inteiro e para os felizardos que aqui residem há um esporte muito praticado em nossas praias: o stand up padlle, ou SUP para os mais íntimos. E, quando chega a estação mais esperada do ano, eu não resisto: transfiro alguns de meus atendimentos para a praia.


Sei que parece louco, mas não é. Hoje mesmo eu fiz uma sessão no SUP. Basta uma prancha e um remo, seu coração e o mar para você experimentar importantes lições e trabalhar diversos aspectos da sua vida pessoal. Eu sou praticante e já havia planejado isso, mas só hoje a primeira cliente topou o desafio, e ela, assim como eu, também tem medo do mar.

Na minha opinião, o SUP é o esporte que mais me possibilita a reflexão pessoal sobre a vida e a natureza. No final da sessão, meu cliente teve a mesma sensação que eu. O SUP é radical quando há ondas. Ele te relaxa quando o mar está “flat” – calmo. Mas, há coisas além:


1. Encarar os medos:

para começar é essencial que você encare algo que te dê medo de verdade, e isso não é clichê poético. Quando isso acontece pela primeira vez, lidar com os obstáculos da vida passa a ser menos doloroso, e quanto mais você pratica, mais fácil as coisas se tornam. Que fique claro que fizemos a sessão no SUP com muita segurança: minha cliente sabia nadar, não havia correnteza ou ondas no mar e um dos responsáveis pela empresa que aluga pranchas de SUP estava sempre por perto;

2. Quem direciona é você:

desconhecido. Sempre temos medo de não saber para onde a maré da vida vai nos levar. No SUP, também há maré, mas quem impõe a direção é você. Assim como é você quem decide para onde quer ir, de onde está saindo, se vai para a esquerda ou à direita, se segue em direção ao costão do Arpoador ou ao imponente Dois Irmãos, ou se fica ali... Paradinho no meio de Ipanema contemplando o Suvaco do Cristo. A decisão é unicamente sua e os resultados também;

3. Obstáculos:


no mar corremos o risco de nos depararmos com valas, correnteza, uma mudança inesperada de vento, dentre outras situações que mudam completamente a direção planejada inicialmente, e que muitas vezes não dependem de você. Na vida também é assim. E como lidamos com isso? O SUP nos ensina que temos de aliar força e técnica para remar e voltarmos, ou nos manter na direção planejada. Nessas horas nervosismo, ansiedade ou desespero só farão a prancha tombar e você ficará perdido no mar à mercê da boa vontade da natureza em não te levar para longe da costa. Na vida também é assim. Só que a força não é física e sim, espiritual, e a técnica nada mais é do que conhecimento. Sentimos vontade de desistir, mas não devemos. A onda pode parecer grande, mas ela vai passar, e mesmo que você caia da prancha é preciso manter o foco, respirar fundo e subir nela novamente. Lembre-se: quem está no comando de sua vida é você;


4. Equilíbrio, concentração e disciplina:


não é papo de praticante, mas a parte mais fácil é manter o equilíbrio na prancha. Por mais que você nunca tenha surfado – como eu – basta ter disciplina que você consegue aprender rápido a ficar em pé, e concentração para se manter assim e poder remar curtindo o visual local. Se você é comprometido e dedicado em sua vida pessoal ou profissional, então disciplina e concentração correm em suas veias e o SUP te ensina a nunca esquecer isso;


5. Humildade:


há vários provérbios orientais que falam que não devemos encarar a vida, o horizonte e as pessoas, nem olhando para baixo, nem para cima, e sim para frente. Olho no olho é um sinal de humildade e respeito, com o outro e consigo. No SUP não há outra opção. Se você olha para baixo – se subestimando –, se desconcentra e cai. Se olhar para cima – com ar soberbo – o sol te cega e você cai também;


6. Passado:


outra direção que você não consegue olhar no SUP é para trás. Caso seja necessário olhar para trás, faça-o com muito cuidado senão você cai da prancha. E na vida? Você só pode olhar para trás para relembrar bons momentos, mas se você decidir remoer o passado ou se prender a ele, sua prancha não navegará para frente sozinha;


7. Respeito à natureza:


no mar você observa os cardumes e as gaivotas a comê-los, os morros e montanhas ao redor, o astro rei acima e a imensidão do horizonte azul. Você contempla a natureza e se dá conta de que o mar também dança... Também canta... As ondas vão e vem como o balé de baleias. E de longe você observa como as pessoas são pequenas quando engrandecem problemas ao contrário da beleza da vida. Dá vontade de chorar quando, longe da costa, você encontra restos de lixo ou sujeira. Dá vontade de chorar quando você encontra pessoas vazias que culpam o universo pela sujeira de suas vidas e não fazem nada para limpá-las;


8. Conversando com Deus:


para os espiritualizados, o SUP é um ótimo momento para meditar ou conversar com Deus... Rezar, agradecer e pedir. Quando se rema sozinho, é um instante constante de paz. Meia hora. Uma hora. Quanto tempo você precisar ficar distante da humanidade para estar com Ele. E para quem não acredita na força superior é a oportunidade perfeita para ficar sozinho com os próprios pensamentos. É a hora da balança. De pesar as coisas boas e ruins. De tomar decisões. Você pensa sobre tudo o que te aflige no mundo externo, e refaz tudo o que não está bom no interno. E mais... Você pode gritar a vontade ou falar sozinho, para agradecer ou colocar pra fora coisas que estão presas na garganta, pois ninguém vai te ouvir para te julgar como louco.



Sempre que for analisar seu dia a dia, pense nessa comparação com o SUP. Se de fato você não gosta de esportes, ao menos pare um dia na praia para observá-lo. Primeiro você enfrenta um medo que é o mar. Em seguida trabalha seu equilíbrio na prancha e depois estará pronto para remar na direção desejada. Se você não tiver concentração, disciplina e humildade, o mar te engole. Mas ali, se você cair não vai se machucar. Você ultrapassa a água e pode nadar para voltar para a prancha. E na vida real? Você terá a mesma chance? E se ela fora embora, diferente da prancha que está presa a você? Portanto, aja! Mude! Pratique diariamente sua coragem, e caso tenha um tempinho, experimente o SUP. Você não vai se arrepender.


Foto de Basak Ar


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Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

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