• Sexsência

Tudo sobre podolatria

Por Marianna Kiss


Que o Sexsência é fã de BDSM, o nosso feed não nega, mas o que você não sabia é que eu iniciaria a live com o nosso convidado Julio Bessa de forma bem inusitada: mostrando meus pés... Lindos, delicados e doidos para humilhar alguém. Risos. Brincadeirinha. Quem me acompanha no Youtube sabe que a última temporada que foi ao ar está repleta de conteúdo sobre conceitos e práticas desse life style justo para desconstruir pensamentos errôneos que atrelam o BDSM a bizarrices ou coisas de malucos que gostam de apanhar ou bater... Se bem que, algumas práticas são mais radicais mesmo. Contudo, 80% do que se faz lá pode ser adaptado para o universo baunilha e praticado a inspirar as transas com a parceria. E, como sabem, no Youtube, eu nunca mostrei meus pés, ou seja, nunca cedi aos milhares de pedidos dos meus seguidores... E nem sei porque abri essa exceção... Acho que foi porque me encantei com a participação do Julio sendo pisado por Mariana Santos, minha xará, no programa Amor & Sexo comandado por Fernanda Lima, na Globo. Ele roubou a cena, literalmente, arrancando risos da plateia e suspiros da Mari, tanto que voltou novamente em outro episódio que também tratava de podolatria. Ficou curiosa (o), então corra para assistir a live que está no IGTV do @sexsencia, mas volte rápido para ler o restante da revista, combinado?


Outra brincadeira que sempre faço, mas com o Julio foi diferente, é que eu simulo puxar uma corda para chamar o entrevistado, só que dessa vez ele me corrigiu e falou “corda não, eu quero é coleira” e os seguidores acrescentaram para que eu o chamasse feito um cachorrinho. Pronto! Caiu nas minhas graças logo nos primeiros segundos e aposto que vai cair nas suas também.


Julio foi indicado pelo nosso colunista Lino Naderer. Eles se conheceram numa festa fetichista. Nossa estrela da matéria tem desejo por pés desde a infância, já trabalhou numa sapataria e confessa o quanto era difícil resistir ao seu fetiche no local de trabalho. Ele frequenta eventos de BDSM e góticos desde os 18 anos, quando era apenas um tímido podólatra que ia para tomar uma cervejinha e não conhecia ninguém e se realizava no voyerismo – hoje ele tem 36. Ele conta que se sente super à vontade e se encontrou, justo por poder expor suas fantasias sem pudor e com isso fez diversas amizades no meio, principalmente com as mulheres que já o humilharam. Leitora (o) linda (o), sei que a ideia de ser humilhado ficou meio confusa para você, então, permita-me te dar uma luz. BDSM é o acrônimo de bondage, dominação, disciplina, submissão, sadismo e masoquismo e é praticado por meio das mais variadas plays ou cenas, por exemplo, há a dog play onde o submisso se faz de cachorro para sua dona passear com ele por aí (em casa, num hotel ou em um evento do meio), contudo essa “humilhação” não é real e sim uma fantasia sexual, mesmo que não envolva o sexo genital. O sub, escravo ou bottom (nomenclaturas mais comuns para os submissos) entra na jogada pelo prazer de ser humilhado na cena, mas na vida real isso está longe de significar que ele é um indivíduo passivo e que não gosta de carinho em suas relações amorosas, entendeu? Caso não, corra para o youtube.com/sexsencia que facilmente vai entender.


A podolatria talvez seja um dos fetiches mais comuns que existem tanto no universo baunilha quanto no BDSM. Podolatria vem do grego “podo” que significa pernas e pés, e “latria” está associada à adoração. É mais comum vermos homens do que mulheres podólatras. Os homens baunilhas que gostam desse fetiche, apreciam os pés femininos baseados na aparência, na textura da pele e na delicadeza. A anatomia dos pés, os cuidados com as unhas e uso de joias e tatuagens também contam. O prazer deles está em ver suas amadas se arrepiarem e suspiraram com afagos, massagens e beijos. Para os amantes de BDSM o prazer é um pouco diferente e o que afirmo ser comum a ambos é o “footjob” e massagem que você vai ler a seguir.



No BDSM a relação com a podolatria muda bastante. Esse fetiche é mais ligado à adoração de uma pessoa pela sua superioridade – que fique claro que essa relação se encontra no campo da fantasia. O submisso sente prazer em estar aos pés de sua dominatrix, ser inferior a ela e ficar totalmente rebaixado. Ele só é digno de estar aos seus pés e, em alguns casos a ordem é nem olhar em seus olhos. Seu campo de visão limita-se à altura dos joelhos, já que contato de olho no olho impõe uma noção de igualdade. Cria-se uma dinâmica onde o submisso deve estar sempre ajoelhado ou se rastejando no chão por ela. No BDSM há algumas categorias ou variáveis da podolatria como:

Foot crushing: é o fetiche de comer comidas esmagadas pelos pés da dominadora. Há uma grande sensação de humilhação aí já que submisso se alimenta do que foi desprezado pela sua superior;

Foot slap: quando o submisso apanha no rosto ou no corpo pelos pés de sua dona. Pode haver humilhação verbal junto. Algumas dominadoras mandam seus submissos agradecerem após cada pancada, e/ou contar junto o número das agressões. Ela pode bater com a parte superior dos pés, o que seria mais próximo de um chute, ou com a parte inferior, funcionando como um tapa. Isso pode ocorrer como forma de punição de uma ordem desobedecida ou um erro cometido. Ou, somente pelo prazer da Deusa que o submisso a sirva. Empurrões com os pés também são bem comuns em sessões de footslap, onde o submisso é empurrado pelo corpo, ou pela cabeça;

Foot worship: é a adoração dos pés, mas bem diferente de como um baunilha se comporta. O submisso se ajoelha em frente a sua dona para beijar e massagear os pés de sua dona enquanto os “adoram”, como em uma religião. Sentiu a intensidade dessa adoração? Como se os pés de sua dona fossem um altar religioso para que se “reze” neles. Pode haver, também, rituais cerimoniais, com regras específicas para que o escravo siga. Por exemplo, o escravo passa perfumes ou cremes nos pés da sua Deusa, com velas em volta, beijando, chupando e lambendo, principalmente a sola. Pode ter uma regra de tempo, por exemplo, sempre aos sábados, ou então sempre em tal dia do mês para que o ritual aconteça. Opa! Gostei desse!

Massagem nos pés: essa é a prática mais comum e envolve os cuidados e carinho que o homem quer dar a sua parceira. Massagear os pés dela apreciando a textura da pele, a maciez, os traços e o desenho deles. Ela pode exigir, também, que ele pinte suas unhas, passe cremes e lixe as solas. Aposto que dessa você gostou, hein?! Vai economizar uma nota de pedicure;

Trampling: esse termo é bem comum no BDSM e pode estar ou não associado a um submisso podólatra. É a prática onde a dominadora sobe em cima do submisso, descalça ou com botas de salto alto – quanto mais finos, mais eles amam a dor proporcionada. Está bastante ligada à dominação, já que na natureza, subir em cima de alguém está ligado diretamente à dominância sobre o outro. Ela pode andar, pular e pisar pelo corpo do submisso. Contudo, deve-se ter cuidado onde se pisa, pois existem partes como o pescoço, por exemplo, que são altamente vascularizadas e o perigo é tanto que se pode matar o sub asfixiado. As áreas mais comuns a serem pisoteadas são o tórax e a barriga, e se deve ter igual cuidado com os órgãos mais desprotegidos. A ideia não é machucar ninguém de verdade, apenas provocar essa sensação, o que é bem diferente. A dominadora pode pisar na cabeça também, mas nunca na boca ou nariz, pelo risco de quebrá-lo assim como os dentes. Imagine se você, homem, sai para dar uma corrida e volta pra casa sem dentes? Mesmo que sua esposa saiba que você paga uma dominatrix para praticar suas fantasias, ninguém merece, né?! A melhor opção para a região da cabeça é mandando-o virá-la de lado, pois aí ela pisa na bochecha e fica tudo certo.

Há sessões onde mais de uma dominadora sobe no submisso ao mesmo tempo. Há, ainda, competições de quem aguenta mais dominadoras em cima ao mesmo tempo. Mas, deve-se tomar cuidado com essa prática, eu não recomendo para os iniciantes;

Foot domination: a dominadora pisa no submisso, comumente na cabeça, de forma a forçá-la sobre o chão, geralmente acompanhada de bastante humilhação verbal. Pode-se chutar a cabeça do submisso também;

Foot job: é a masturbação com os pés. A dominadora usa seus pés para masturbar o submisso. Pode ser feita com um pé ou com os dois juntos. Com um pé, ela pode “pegar” no pênis do submisso usando o dedão e o indicador e assim, apertá-lo. Ou, usar os dois pés, prendendo o pênis no meio, desse jeito a área de contato é bem maior. Nessa prática pode-se usar cremes ou lubrificantes para facilitar o deslizamento dos pés. Pode ser feita com o submisso em pé e a dominadora sentada na cama, ou então com o submisso deitado no chão e a dominadora em uma cadeira ou sentada na cama. Que tal tentar o Kamasutra nessa brincadeira?

Foot gag: em português significa engasgamento com os pés. A dominadora coloca o pé dentro da boca do submisso. Ela pode enfiar apenas os dedos, ou a sola do pé. Ela tenta colocar o máximo possível na boca do submisso a fim de engasgá-lo com os pés. Com muita experiência nessa prática, ela pode também tentar abrir a boca dele usando os dois ao mesmo tempo. Treiná-lo para que não vomite também é uma finalidade da prática almejando fazer garganta profunda com os pés. Exatamente como no famoso filme em que a protagonista tinha seu clitóris na goela e não na região pélvica;


Outro fetiche que também é relacionado com a podolatria, mas que não encontrei um nome específico é o de beijar o chão onde a dona pisou. Durante a sessão, ela caminha pela sala e o submisso vai atrás beijando o chão onde a dominadora pisou. Pode também haver beijo nos pés da dominadora durante esse meio tempo. Fique sem fôlego agora!!! Que mulher não gostaria de ver seu homem pisando o chão onde pisa... Agora que sei que no BDSM isso é possível, quem sabe eu não entro nessa, né?!

Por último, cito também o fetiche por sapatos e botas como uma variável da podolatria. Nessa prática basta seguir o mesmo pensamento do podólatra, ou seja, de estar aos pés de sua dominadora só que com ela usando um belo salto alto ou bota. Neste caso, as cores e o material – couro, por exemplo – são extremamente valorizados. A dominadora pode exigir que ele lustre seus sapatos com a língua para que estejam sempre limpos e brilhantes. Ah! Há também os que gostam de chulé... Muito chulé, sejam eles em meias ou sapatos bem batidos e digo mais, em sites de vendas de produtos usados há um mercado lucrativo disso. Duvida de mim? Digita no buscador e me avise depois. E, se você for um podólatra que gosta de muito chulé, neste exato momento estou usando uma meia que eu não lavo há 15 dias. Me chame no privado do Instagram se quiser ser o felizardo que vai recebê-la em casa.


Continuando o papo com o Julio, ele frequentava festas fetichistas, mas sentia falta da balada e da curiosidade do público baunilha pelo tema e, depois de aparecer duas vezes no Amor & Sexo, foi unânime o empurrãozinho para que ele, com tanto conhecimento e contatos do meio produzisse seu próprio evento. Daí, surgiu a ideia do Fetish Lab, que é, literalmente, um laboratório de eventos, que começou com uma brincadeira, para mostrar um pouco do que é o BDSM e que está completando seis anos. As festas, até a quarentena, rolavam de quatro a seis vezes por ano em diversas casas de shows do Rio de Janeiro e, nos últimos cinco anos fixou na Casa da Matriz, em Botafogo, que, infelizmente, fechou devido a essa temporada difícil que estamos vivendo – será que crio a #voltacasadamatriz?


Julio conta que a maior dificuldade foi convencer aos amigos, que não eram do meio, que no Fetish Lab não era balada liberal, onde o sexo é permitido em qualquer canto. “Nas redes sociais, muitos perguntam se é putaria, se pode ‘comer’, se pode ‘fuder’ na festa e eu deixo bem claro que não, inclusive, quem for pego fudendo vai ser advertido e expulso”, ele ressalta e eu assino embaixo porque, embora o BDSM dê muito tesão sexual não tem nada de sexo genital, a não ser que isso esteja previamente combinado e eu já assisti a uma cena... Agora vai um segredinho meu, hein! Pouco antes da quarentena, Dame Lótus e Gregório me convidaram para presenciar uma sessão deles e eu vou confessar que foram as quatro melhores horas da minha vida. Nunca me imaginei sentir tamanho prazer – e, que fique claro que foi totalmente intelectual – em um dia de voyer de uma cena real. Ai, ai, ai, papai! Aguarde as novidades dessa experiência!


Julio revela que já namorou muitas mulheres baunilhas e somente uma dominadora e o maior desafio para ele é manter uma relação saudável fora do próprio desse universo de fetiches. Ele gosta muito de “namorico” com beijos e mãozinhas dadas e, se conseguir mesclar isso com os desejos de ser humilhado, pisado e cuspido, até mesmo em público é um sonho. Opa! Ou ele encontra uma mulher que o compreenda e permita que ele realize seus fetiches sem ciuminho ou uma que tope as experiências incríveis de ambos os universos. Mulherada, o Julio é o maior gatinho, super simpático e tá na pista, hein! #ficaadica.

“O Fetish Lab é uma porta de entrada que aborda o universo BDSM de forma leve, com todas as regras, mas também abrindo portas e não segregando as pessoas. Cada vez mais atrai e abraça todo mundo e quebra os paradigmas de que fetiche é algo restrito e obscuro. Não... A gente pode andar por aí e dizer que gosta. Do mesmo jeito que alguém gosta de bunda, eu gosto de sapatos e pés femininos. É uma experimentação leve e divertida do universo fetichista.” Julio Bessa


#mariannakiss #sexsencia #juliobessa #fetishlab #bdsm #podolatria #amor&sexo #amoresexo #dicasdesexo #dicasdepodolatria #dicasdebdsm #trampling #footgag #footjob #fooddomination #foodworkship #foodslap #foodcrushing

0 visualização

Quanto o nosso conteúdo modificou a sua vida?

A Equipe Sexsência é composta por 6 profissionais que dão seu máximo para a produção de conteúdo nas redes sociais, nas matérias da revista e na produção das lives com entrevistados. 

Nós trabalhamos de forma colaborativa e sem pro labore. 

Apoie o nosso trabalho para que continuemos levando a você conteúdo de qualidade com muita criatividade. Basta apontar o leitor de QR Code de seu celular para contribuições pontuais ou escolha nosso crowdfunding mensal. 

© 2020 by Sexsência

Crowdfunding

Em breve