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Um salve ao Femdom

Por Marianna Kiss


Como prometido desde a revista passada onde eu disse que passaria o resto do ano “falando” de BDSM e, aproveitando o ensejo do mês que marca a poder feminino, aqui vai mais um assunto: FemDom que é Female Domination, traduzido para o português como Dominação Feminina.


Na prática do BDSM FemDom tradicional, a mulher é sempre a dominadora e, por meio das técnicas utilizadas – tortura física e psicológica, castigos, amarrações e etc. –, são ressaltados os valores femininos e punidos os valores masculinos, embora neste universo isso não esteja atrelado a nenhuma bandeira feminista (ou não deveria) mesmo porque o contrário também acontece. Neste espaço de dominação feminina as cenas mais comuns estão atreladas à adoração de saltos altos, pés e a pele, a inversão que é a penetração anal no submisso por meio de um strapon (cinta com pênis acoplado), a negação do orgasmo masculino (uma das preferidas deles), usar o submisso como faxineiro, cozinheiro, mordomo, motorista dentre outros serviçais e vesti-lo com figurinos femininos. Entretanto, você não precisa limitar o seu repertório, ok? São mais de 1500 possibilidades entre fetiches, parafilias e BDSM – as quais vou abordando em doses homeopáticas na revista Sexsência ao longo deste ano.



Quando toquei no assunto feminismo no parágrafo anterior, é porque muitas mulheres buscam ser dominatrix pelo motivo errado e um deles é o feminismo como se o FemDom fosse campo aberto para a humilhação masculina. Todas as práticas devem ser consentidas por eles, logo tem-se a certeza de que eles só vão aceitar o que lhes der prazer também, o que estiver em suas fantasias. A humilhação faz parte da fantasia e por isso precisa ser um jogo erótico e não uma vingança porque na vida real você se sente menosprezada por seu gênero, entende? Vamos abordar novamente este assunto com mais profundidade adiante.

Pense no FemDom como uma prática autônoma e individual. Dentro da ciência da sexualidade, o meu mestre Paulo Tessariolli sempre diz que “o prazer sexual é pessoal e intransferível”, logo cada um sente de um jeito, pratica de outro jeito e inventa o próprio jeito. Todo o conhecimento que abrimos aqui para você é para ilustrar as diferentes possibilidades, mas sinta-se à vontade para criar seu próprio roteiro de prazer e erotismo. O importante é usar a liberdade que o FemDom proporciona para materializar as suas fantasias de forma saudável e segura. Ou seja, livre-se de todo o contexto cultural da sociedade normofílica, deixe para pensar em valores morais, papéis sociais ou no que é certo e errado fora da cena. Se você não trabalhar esse desapego jamais vai se tornar uma dominatrix. Aqui é campo para você se sentir poderosa. Até quem é switcher ou submissa é poderosa também. Tive a oportunidade de entrevistar um dom logo que lancei o Sexsência no Youtube, na época eu não fazia ideia do que era BDSM e também não entendi nada do que ele falou na entrevista... A única coisa que ele repetia o tempo todo era que fazia de tudo para que suas escravas se empoderassem e se sentissem valorizadas. Você não vai entender agora como é possível uma pessoa que recebe ordens se sentir empoderada... Aguarde mais um pouco que há um capítulo em que descrevemos o que leva um homem a se tornar um submisso e o mesmo sentimento vale para as mulheres também.


“Kiss, se o mesmo vale para ambos os gêneros porque existe o termo BDSM que engloba a todos, o FemDom que remete somente ao domínio feminino e nenhum nome específico para a dominação masculina?”


Boa pergunta, minha cara futura rainha... Assim como é a vida lá fora, há grupos litúrgicos ou muito segmentados, ou seja, muito antigos ou criados para um fim especifico com segundas intenções, respectivamente, que até hoje não permitem a dominação feminina e os switchers ou, quando permitem é algo muito sutil. Pense no FemDom como um passo à frente da mulherada que queria impor seu valor de um jeito mais profissional e criando suas próprias regras, técnicas e clubinhos. Há poucos anos, dominadoras tradicionais do meio copiavam as potencialidades masculinas para conseguir se colocarem nas relações. Hoje, mulheres como a Dame Lótus dentre outras dominatrix têm força e voz, principalmente para desconstruírem alguns mitos de, por exemplo, uma dominatrixxx ser garota de programa. Ou seja, há cada vez mais liberdade e garra para assumir que é possível, e elas querem, unir o prazer erótico e a uma atividade econômica, ou seja, fazer disso um belo trabalho – lembra que falamos na revista de fevereiro o quanto o BDSM e o fetiche são terapêuticos??? Volta e meia elas estão na mídia em grandes programas da TV aberta justo para se imporem e, cada vez mais, são respeitadas por essa proatividade e conquistam autoridade no meio.


Como especialista em sexualidade eu atendo dúvidas sobre:

identidade de gênero, orientação sexual, autoestima e disfunções e inadequações sexuais, de segunda a sábado on line e você pode me procurar no sexsencia@yahoo.com.


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#bdsm #femdom #dominacaofeminina #dominatrix #homemdominado #BDSMmeaning #switcher #rigger #dbsm

Eu fico por aqui, gratidão por me ler, cópula a tergo e muita intumescência para o seu dia.

Marianna Kiss

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