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Você já treinou seu assoalho pélvico hoje?

Por Marianna Kiss


Ah? O quê? Como? O que é isso?


Imagem retirada da internet com direitos liberados para uso


Minha cara intumescente, tem coisas que você só se dá conta quando se depara com a Revista Sexsência, logo, leia com atenção esta matéria que eu garanto que, após saber o que é o assoalho pélvico, você vai treiná-lo de maneira correta. As lives do Sexsência no Instagram pegam fogo, mas também têm muita informação legal, mesmo porque, como sempre digo, aqui tudo é pautado na ciência. Eu tive o prazer de entrevistar a Doutora Andrea Dell´Aquila, fisioterapeuta pélvica e terapeuta sexual, com quem já tive aula na Cefatef na minha pós-graduação. E eu estava torcendo para ela aceitar o convite porque eu queria muito dividir com você esse conhecimento: assoalho pélvico.


De uma forma bem didática, Andrea explicou que o assoalho pélvico é a musculatura que fecha a parte de baixo da nossa pelve ou – do latim e termo mais popular – bacia e que devemos cuidar dessa região com muito carinho. “Mas, o que isso tem a ver com nossa sexualidade, Kiss?”. TUDO!!! E, vou começar com duas dicas: sexo e continência urinária. Sacou?! Agora ficou fácil, pois são duas coisas que a mulherada sai correndo para as aulas de pompoarismo na web quando sentem a vagina “flácida” após um parto “normal” ou quando não estão mais conseguindo segurar o xixi. Só que a importância de ter essa musculatura bem trabalhada não se limita a isso e não temos de lembrar dela somente quando estamos loucas para chegar em casa para fazer o número dois ou quando nos contorcemos para não soltar aquele pum no elevador lotado – se bem que, quando o sindico chato está presente dá bem vontade de soltar. Segundo a doutora, dependemos do assoalho pélvico, principalmente, para as continências de urina, fezes e flatos e estamos o tempo todo em contato com ele não apenas para contrair e segurar, como também para relaxar. A segunda função mais importante dessa musculatura é justamente a que eu citei lá em cima, a expulsão do bebê na hora do parto vaginal seguida de manter em seus devidos lugares os órgãos pélvicos e abdominais – vagina, bexiga, útero e intestino principalmente. Se não fosse por essa rede de proteção que sustenta e controla os órgãos, tudo ficaria balançando ou desabaria e Andrea dá como exemplo – e já nos mostrou vídeos em sala de aula – de útero ou reto invadindo o canal vaginal, o que é muito constrangedor quando rola sexo. Imagine você toda bonitona para se encontrar com o boy, daí ele chega trabalhado no meu curso “Torne-se um expert em prazer feminino”, tira sua roupa bem devagar e quando coloca a cara na sua vulva para iniciar um oral caprichado o seu útero está ali, bem na portinha da vagina. Esquisito, né? Mas, acontece! E não ocorre só em mulheres maduras não. Muitas que estão na flor da idade apresentam perda urinária na prática de determinadas atividades físicas como cross fit, por exemplo, devido ao levantamento de peso e quando não acionam o assolho pélvico de forma correta podem deixa-lo flácido com o tempo. Opa! Agora coloquei uma pulguinha atrás da sua orelha, né?!


Andrea cita também a função sexual do assoalho pélvico que garante uma boa excitação e, consequentemente, uma boa qualidade de orgasmo, ora acionando a musculatura externa, ora a interna. Logo, quando se fala em saúde de assoalho pélvico, falamos então de garantir a continência, a função sexual, garantir a sustentação de órgãos e na expulsão do bebê no parto vaginal.


Algumas perguntas masculinas surgiram, mesmo porque os homens também têm essa musculatura. Uma delas foi relacionada a existência de algum exercício físico específico que possa ser trabalhado num treino de musculação, por exemplo. A fisioterapeuta explica que, embora seja uma musculatura que precise estar sempre tonificada, antes é preciso ser avaliada. Será que ela precisa ficar mais forte? Mais resistente? Mais relaxada? Cada característica vai exigir um exercício diferente, contudo apenas um fisioterapeuta pélvico consegue fazer essa avaliação, pois têm equipamentos específicos para tal como o biofeedback – eletrodos ficam espalhados pelo assoalho pélvico e, quando a pessoa faz o exercício de forma correta ou não, o movimento é mostrado num gráfico possibilitando o profissional de fazer a correção dos comandos e, consequentemente, prescrever uma série adequada para a resolução do problema. Há também o “dedofeedback”, ou seja, a avaliação manual, onde o fisioterapeuta insere o dedo na vagina – quando a paciente é mulher é claro – e assim consegue avaliar se os movimentos realizados estão corretos. Andrea cita, inclusive, uma pesquisa recente que associa a hipertonia do assoalho pélvico com o perfil de ejaculação rápida, justo porque o homem também não sabe contrair essa musculatura de forma adequada.


No meio feminino, está muito na moda os exercícios de pompoarismo e a primeira coisa que ouvimos para trabalhar a musculatura é que temos de segurar o xixi. Andrea explica que de fato, ao segurar o xixi, a mulher está acionando o assoalho pélvico, mas ela estará acionando a bexiga, o bumbum ou o diafragma?! Ela também cita que muitas mulheres ainda seguem Kegel que em 1954 falou de cortar o xixi para trabalhar o assoalho pélvico e hoje isso é muito perigoso. O mecanismo do xixi é muito preciso, para ele sair precisamos relaxar para a bexiga contrair e expulsar o líquido e, quando se interrompe esse processo dá um pane no nosso cérebro que, com o tempo, perde o controle de todo o processo. Segundo a Sociedade Internacional de Continência a cada três horas nós teríamos de fazer um xixi, a partir desse tempo, a bexiga não aguenta tanto líquido e perde a capacidade de contrair expelindo-a, o que provoca dor, dentre outros problemas. Ao contrário disso, quando a gente faz muito xixi, pode ocorrer a chamada urgência urinária ou bexiga hiperativa e o indivíduo precisa urinar a cada uma hora, e tem junto perda urinária. Literalmente, a pessoa se urina nas calças onde estiver, pois não consegue relaxar a bexiga o suficiente para segurar tanto líquido. Imagina se, por causa de uma série de pompoarismo via internet, você coloca tudo a perder e fica com a bexiga hiperativa? Não dê esse mole, por favor!


Não acionar a musculatura correta pode provocar também a hipertonia – perda de controle para contrair e relaxar, super tensão – do assoalho pélvico que, para a mulher, resulta na dor durante a penetração e/ou o vaginismo – contração involuntária da vagina – e o seu quadro piora. Andrea diz que durante o exame de toque é possível perceber se a musculatura vaginal é muito tonificada, ou seja, “dura, dura”. Ela explica também que quando se fala em pompoarismo logo se pensa em exercícios genéricos, ou seja, todo mundo faz igual. Contudo é preciso nos atentarmos que as necessidades são muito individuais. De repente eu preciso fortalecer a minha musculatura para garantir as continências e outra mulher precisa estar mais resistente para segurar uma urina por mais tempo, por exemplo, o meu exercício é um e o dela será outro. E, vai que uma terceira mulher da roda precisa relaxar essa musculatura porque ela é tão tensa que não consegue nem contrair e nem relaxar e o exercício que ela vai fazer é outro. A fisioterapia trabalha com o treinamento da musculatura do assoalho pélvico, ou TMAP e, a doutora alerta que, segundo pesquisas, 40% das mulheres não sabem contrair o assoalho pélvico e isso significa que é um risco muito grande que todas as mulheres num evento realizem o mesmo exercício.


Imagem de divulgação


E, ela deixa um importante recado:

“A gente só pensa em cuidar do nosso corpo quando nos deparamos com uma doença e isso é cultural do brasileiro. Se não pensarmos em doença e sim em prevenção para manter a saúde a gente consegue ter uma qualidade de vida muito melhor. Precisamos manter a musculatura do assoalho pélvico sadia, em vez de pensarmos em reabilitá-la. É claro que a fisioterapia pélvica está aí para um trabalho de reabilitação, mas é interessante que não deixemos essa musculatura ficar ineficiente justo porque o assoalho pélvico tem funções muito importantes, como por exemplo a continência, ou seja, segurar ‘xixi’, ‘pum’ e ‘cocô’. Quando a gente segura uma dessas três coisas a gente está acionando o assoalho pélvico. Aquela vontade louca de chegar em casa e fazer xixi ou quando estamos num elevador cheio de gente e temos de segurar ao máximo o pum é o assoalho pélvico que entra em ação.”

Eu ressalto que, se você tem dúvidas, SEMPRE procure um profissional. Evite o que está na moda ou se desejar seguir a personalidade do momento que está dando dicas e ministrando cursos, investigue onde ela se formou e em que se formou, pois o nosso assoalho pélvico é uma das regiões mais importantes para a nossa saúde sexual. Quer saber mais sobre o trabalho da Dra. Andrea? Então, acesse o www.espacodellaquila.com.br e veja a live que está no IGTV do @sexsencia.


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